domingo, 8 de janeiro de 2017

Artigo publicado na Revista Poder & Cultura: A tragédia do Patriarca Protério de Alexandria (451-458): disputas teológico-eclesiásticas e violência no Egito tardo-antigo


Foi publicado um artigo de minha autoria na edição de julho a dezembro de 2016 da Poder & Cultura, periódico que nasceu dos cursos, produções historiográficas e debates realizados pelos pesquisadores do Laboratório de Estudos Históricos e Midiáticos das Américas e da Europa (LEHMAE), coordenado pelo Prof. Dr. Wagner Pinheiro Pereira, no Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IH/UFRJ), desde o ano de 2011. O texto, de título A tragédia do Patriarca Protério de Alexandria (451-458): disputas teológico-eclesiásticas e violência no Egito tardo-antigo, é um produto de minha pesquisa de doutorado, um apêndice do projeto de pesquisa Os dois primeiros séculos de interações cristão-muçulmanas na História do Patriarcado Copta de Alexandria de Severo de Hermópolis, no qual venho trabalhando desde o início desde 2015. Agradeço à queridíssima Beatriz Moreira da Costa, editora técnica e web-designer do periódico, que me fez o convite a enviar uma contribuição para o número em questão e gentilmente foi minha interlocutora em todo o processo de avaliação e aceitação do texto.

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Título: A tragédia do Patriarca Protério de Alexandria (451-458): disputas teológico-eclesiásticas e violência no Egito tardo-antigo

Resumo: No período que se seguiu ao Concílio de Calcedônia (451), a cidade de Alexandria mergulhou em verdadeiro caos. A cristologia desenvolvida nesta cidade havia suplantado a sua concorrente antioquena no Concílio de Éfeso (431). Sob a proteção de Teodósio II (r.408-450), ela havia se estabelecido como a ortodoxia cristã no segundo concílio realizado na mesma metrópole (449). No entanto, viu-se, após a morte inesperada de seu patrono, subitamente desfavorecida pelo governo imperial e condenada como herética. A deposição do Patriarca Dióscoro de Alexandria, responsabilizado pelo assassinato de Flaviano, arcebispo de Constantinopla, nesse que ficou conhecido como o Latrocínio de Éfeso, colocou em xeque o regime de autoridade que a Sé egípcia havia estabelecido sobre as demais igrejas do Mediterrâneo Oriental nas décadas anteriores. Apoiando-se apenas sobre uma minoria de legalistas étnica e linguisticamente apartados da população circundante, o governo constantinopolitano não teve sucesso em impor Protério – um egípcio helenófono feito monge na capital imperial – como sucessor reconhecido de Dióscoro. Ao contrário, diante de sua nomeação levantaram-se veementes protestos urbanos, reprimidos com dureza pelas autoridades constituídas. Seguiu-se uma escalada de violência que culminou com a ocupação da cidade por tropas imperiais e, depois da morte do Imperador Marciano (r.450-457), promotor do credo calcedônico, com o assassinato de Protério. O presente trabalho pretende retomar este enredo, cotejando algumas diferentes versões a seu respeito e tomando-o, em sua mistura de religião e violência algo chocante às sensibilidades contemporâneas, como um sintoma das mudanças sociopolíticas e culturais então em curso no Egito tardo-antigo.

Formato: online (disponível em http://tinyurl.com/jcmvs8f)

Investimento: acesso aberto