quarta-feira, 11 de março de 2015

Minicurso na 1ª Semana de História (UVA): Introdução aos antigos cristianismos africanos


Nos dias 17 a 19 de março acontecerá a 1ª Semana de História da Universidade Veiga de Almeida (UVA), no Campus Tijuca dessa instituição. No âmbito deste evento, oferecerei nas manhãs dos dias 18 e 19, quarta e quinta-feira, o minicurso Introdução aos antigos cristianismos africanos. A inscrição para assistir a essas aulas pode ser feita previamente, por contato depósito bancário e contato por e-mail, ou no local, a um custo de R$ 10 para alunos ou ex-alunos da UVA e de R$ 20 para ouvintes externos. As aulas ocorrerão nos dois dias das 9h30 às 12h30 e será concedido certificado de participação àqueles que estiverem presente em ao menos 75% da exposição.

A programação completa do evento pode ser consultada em http://migre.me/oYlIb, e sua página no Facebook é http://migre.me/oYlJc.

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Título: Introdução aos antigos cristianismos africanos

Formato: minicurso (2 aulas, totalizando 6 horas/aula)

Proposta: A ideia de uma contraposição dura entre cristianismo e religiões de matriz africana surge, entre outras coisas, de dois pressupostos conexos e historicamente equivocados. O primeiro é o mito de que a religião cristã é pouca coisa mais do que um apêndice ou aparelho ideológico da dominação europeia. O segundo é o de que a expansão ou retração do cristianismo estão intrinsecamente vinculadas à sorte das culturas do Ocidente. Este enquadramento, contudo, distorce amplamente o padrão histórico de crescimento deste movimento religioso ao longo do tempo, principalmente caso se considere o primeiro milênio de sua existência. Ele pode ser dissipado, por exemplo, caso se considere as histórias das antigas igrejas autóctones do território africano, que durante séculos disputaram a preeminência do mundo cristão com as comunidades eclesiásticas da Ásia e da Europa. O objetivo deste curso é fazer uma abordagem sinóptica e introdutória destas experiências religiosas africanas, com a explícita pretensão de borrar alguns dos lugares comuns muito enraizados sobre a história do cristianismo e a história da África.

Programa:

1. “Do Egito chamei o meu filho”: a Igreja Copta e a formação do mundo cristão
2. “A Etiópia cedo estenderá suas mãos para Deus”: a Igreja Etíope e a disputa pela herança israelita
3. “Porquanto tinha casado com uma mulher cusita”: cristãos e muçulmanos no Corredor da África

Quando: dias 18 e 19 de março (quarta e quinta-feira), das 9h30 às 12h30.

Onde: Campus Tijuca da Universidade Veiga de Almeida, Rua Ibituruna, n. 108, Tijuca - Rio de Janeiro / RJ (mapinha: http://migre.me/oYlBl. Ps. O local fica bem próximo à Estação São Cristóvão do Metrô).

Investimento: R$ 10 para alunos e ex-alunos da UVA / R$ 20 para ouvintes externos (a inscrição pode ser feita no local, no credenciamento da Semana de História da UVA, antes do início do curso, ou através de depósito bancário e contato por e-mail, de acordo com instruções constantes em http://migre.me/oYlvS)


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Atualização: Correu tudo bem no minicurso e foi surpreendente (principalmente para mim) ver o quanto de gente se dispôs a passar duas manhãs do meio da semana tratando de saber algo a respeito das antigas experiências cristãs africanas. Espero ter colocado um monte de perguntas na cabeça de todo o povo gentil, paciente e atencioso que apareceu por lá para conversar comigo. No mais, segue o link para o programa e as referências bibliográficas do minicurso, http://migre.me/p77fZ, assim como uma foto do grupo que resistiu comigo na UVA até às 13h de quinta-feira passada.

terça-feira, 3 de março de 2015

Comunicação na 1ª Jornada de Psicologia Social (UNIABEU): Linha, novelo e leque: algumas sinuosidades no relacionamento entre história e memória


Nos dias 16 e 17 de outubro de 2014, o Departamento de Psicologia da Associação Brasileira de Ensino Universitário - Faculdades Integradas (DP/UNIABEU), realizou no seu campus-sede, em Belford Roxo / RJ, a primeira edição de suas Jornada Integradas de Psicologia Social. No dia 16, realizou-se neste âmbito a 1ª Jornada de Psicologia Social, que teve como tema "Memórias, culturas, diversidades" e, pela manhã, a mesa multidisciplinar "O que é memória? O que significa lembrar? O que é esquecer?" Graças ao gentil convite do Prof. Me. Diogo de Souza Nunes, professor da casa, tive a alegria de poder participar dessa mesa, na qual proferi a comunicação que compartilho a seguir. Imagino não ter feito feio representando o olhar particular dos historiadores a respeito da temática posta sob discussão, e fico feliz por ter então estabelecido um interessante diálogo com colegas vindos da Psicologia Social e de outras áreas das Humanidades.

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Título: Linha, novelo e leque: algumas sinuosidades no relacionamento entre história e memória

Formato: online (disponível em http://migre.me/oRvY1)

Investimento: acesso aberto

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Projeto de pesquisa para o doutorado: Os dois primeiros séculos de interações cristão-muçulmanas na História do Patriarcado Copta de Alexandria de Severo de Hermópolis



Fazer o Mestrado em História significou muitas coisas para mim, mas não uma experiência pessoal extraordinariamente positiva. Uma parte considerável disso se deveu ao fato de eu ter investido demasiado tempo e recursos pessoais em um tema que, como estava claro para todo mundo, e em alguma medida também para mim, não era exatamente a "minha praia".

Terminado o compromisso de pesquisa do qual a confecção do mestrado fazia parte, portanto, resolvi redirecionar meus esforços como historiador para algo que me desse não apenas possibilidade de inserção profissional, mas, antes disso, satisfação pessoal e um sentido de preenchimento vocacional. Durante muitos meses eu li, conversei com pessoas, hesitei, rezei e virei noites em claro pensando a respeito. Em algum momento do começo de maio, decidi que realmente iria dedicar meus próximos anos ao trabalho com história das religiões, com ênfase na história do relacionamento entre cristianismo e islamismo. Nos primeiros dias de agosto, já sabia que não trabalharia com nenhuma experiência cristã que me fosse particularmente próxima, católica ou reformada. No fim de agosto, em uma epifania, encontrei por acaso uma documentação, disponível a um clique, que me selou o destino. Desde então passei a ler e a esboçar alguns textos sobre os primeiros séculos das interações entre a Igreja Copta e o Islã.

Com um rascunho de projeto de pesquisa de tamanho considerável, procurei por interlocutores que o lessem e ajudassem no meu direcionamento... Cheguei enfim até a sala do Prof. Dr. Edgard Leite, que me acolheu amistosamente, com muito entusiasmo e boas palavras, olhando com bons olhos a possibilidade de vir a ser meu futuro orientador. Seguindo suas indicações e as de alguns outros conhecidos muito queridos - entre os quais destaco o Prof. Dr. Ricardo Mário Gonçalves, de comentários muito argutos, e o Prof. Me. Diogo de Souza Nunes, amigo muito querido - conclui a redação do projeto e me inscrevi no processo seletivo para o Doutorado em História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGH/UERJ).

As sondagens preliminares que realizei no processo de formulação desse projeto provaram-me que havia, no máximo, muitíssimo pouco produzido a respeito do cristianismo copta na academia brasileira. Quando comecei a esboçar minha questão historiográfica, imaginava ingressar em uma província do saber fechada de modo quase hermético, na qual não poderia ter maiores sobressaltos... De fato, então eu não imaginava realmente a sério que ingressaria no Doutorado, ainda mais com um tema desses, que muitas pessoas bem intencionadas me advertiam ser "especialmente desinteressante no nosso contexto"... Mas ingressei. Não apenas passei no processo seletivo, mas nele fiquei muito bem posicionado. Também não imaginava, nem em meus sonhos mais exóticos, que fosse haver algum interesse nesse assunto para fora do quase estrito círculo dos especialistas... Mas a história, para o bem e para o mal, sempre supera as previsões e as contingências dos historiadores, e assisto agora, estupefato, com uma sensação ainda ambígua, o tema que escolhi - ou que me escolheu - tornar-se, mesmo na mídia de massa, vivo e ardente diante de meus olhos...

Como muitos foram os colegas, alunos e ex-alunos que pediram para ler o meu projeto, agora, devidamente matriculado no doutorado, tenho alegria em compartilhá-lo também aqui. Aguardo ansioso observações, sugestões e críticas, e ficaria muito feliz se sua publicação fosse ensejo para o debate e para o surgimento de outros pesquisas a respeito do mesmo assunto.

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Título: Os dois primeiros séculos de interações cristão-muçulmanas na História do Patriarcado Copta de Alexandria de Severo de Hermópolis

Formato: online (disponível em https://tinyurl.com/gwb7x8d)

Investimento: acesso aberto

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Minicurso no Centro Loyola de Fé e Cultura: Jesus de Nazaré no Islã

Jesus, aureolado como um profeta, ornado com uma barba de sábio e acompanhado por seus discípulos, é abordado por dois homens que pedem o perdão de seus pecados. Miniatura constante da fl. 136b de cópia do Kullīyāt-i Saʿdī (1292 a.D. / 691 a.H.) de Musharrif al-Dīn ibn Muṣliḥ Saʿdī Shīrāzī, concluída em Shiraz, Pérsia, no ano de 1527 a.D. / 934 a.H. (Extraída de http://tinyurl.com/nazf5mp. Imagem editada).

Nos dias 12, 19 e 26 de março próximo, três quintas-feiras, das 19 às 21h, eu terei a honra e a alegria de oferecer por iniciativa do Centro Loyola de Fé e Cultura da PUC-Rio um curso a respeito da figura de Jesus de Nazaré no Islã.

Nesta ocasião, pretendo fazer uma exposição sintética de como Jesus é apresentado na religião islâmica, usando como referência a leitura do Corão e de compilações de ditos e feitos de Jesus recolhidos na literatura ascética e devocional muçulmana. Também pretendo discutir um pouco a respeito das possíveis fontes dessa imagem, e qual foi o seu papel no processo de interação entre cristãos e muçulmanos naquele período inicial, fundador, que se estendeu desde o surgimento do Islã até o fim do primeiro milênio depois de Cristo. No horizonte disso tudo, repousa o desejo de procurar compreender um pouco mais o papel que Jesus de Nazaré tem simultaneamente como traço de distinção e de aproximação das tradições cristã e islâmica.

As aulas serão voltadas especialmente para os estudantes de história e teologia, mas também terei grande alegria em acolher todos os interessados em ouvir e conversar a respeito deste tema.

Peço que os eventuais interessados se inscrevam o quanto antes, de modo que possamos formar uma turma com um quórum mínimo que garanta a efetiva realização do curso... Solicito também a todos os amigos, colegas e conhecidos que ajudem a divulgar a proposta do curso em suas redes de contatos, visando alcançar especialmente os potenciais interessados no tema.

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Título: Jesus de Nazaré no Islã

Formato: minicurso (3 aulas, totalizando 6 horas/aula)

Ementa: Apresentação introdutória da figura de Jesus de Nazaré no Corão e na tradição islâmica, com ênfase especial para seu papel no processo de interação entre cristãos e muçulmanos no último terço do primeiro milênio da era cristã.

Objetivo: Jesus de Nazaré é um personagem eminente no Corão, na espiritualidade, na escatologia e no folclore islâmicos, que o consideram como profeta, atribuindo-lhe os títulos de Messias e Palavra de Deus, mas negando que seja Deus ou Filho de Deus, ou que tenha sofrido a morte na cruz. As principais fontes de informação a seu respeito no interior da tradição islâmica são as menções que lhe são feitas no Corão e as parábolas, ditos e feitos que se lhe atribuem em várias obras de exegese, jurisprudência e história produzidas em contextos muçulmanos. Este curso objetiva fazer uma apresentação sinóptica de como Jesus é figurado no Islã, perguntando-se sobre as fontes desta imagem e sobre o seu papel no processo inicial de interação entre cristãos e muçulmanos.

Programa:

1. A cristologia corânica
2. Estórias, ditos e parábolas islâmicas sobre Jesus
3. Possíveis fontes cristãs do Jesus muçulmano

Quando: dias 12, 19 e 26 de março (quintas-feiras), das 19 às 21h

Onde: Centro Cultural João XXIII, Rua Bambina, n. 115, Botafogo - Rio de Janeiro / RJ (mapinha: http://tinyurl.com/k2pqmh6. Ps. O local fica bem próximo à estação do metrô)

Investimento: R$ 110,00 (para se inscrever é necessário mandar um e-mail para scursosloyola@puc-rio.br, informando nome, RG, telefone e o curso do qual deseja participar, e solicitando o boleto bancário para pagamento da taxa. Mais informações podem ser obtidas entrando em contato nos telefones [21] 3527-2011 ou [21] 99479-1442, ou por mensagem inbox para o https://www.facebook.com/centroloyolapucrio)


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Atualização: o minicurso sobre Jesus de Nazaré no Islã começou com uma série de probleminhas, evidentemente externos ao Centro Loyola, que é um dos melhores lugares de se trabalhar com ensino pelo qual eu já tive o grande prazer de passar, mas tudo felizmente correu muito bem nos três dias de sua realização. Pude contar com uma turma formada por pessoas de origens, formações e interesses bastante variados, que transformaram as aulas em verdadeiros laboratórios de ensino-aprendizagem. Sensação muito boa de ter conseguido executar isso a bom termo! No mais, segue o link para o programa e as referências bibliográficas do minicurso, http://migre.me/pdl7J, assim como uma foto do grupo que resistiu comigo no Centro Cultural João XXIII até às 20h de quinta-feira passada.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Artigo publicado na Revista História Agora: Dom Fernando Lugo Méndez, SVD, ex-bispo emérito de São Pedro e presidente da República do Paraguai

Fernando Lugo enquanto presidente do Paraguai. (Extraída de http://migre.me/okGP8)

É impressionante como alguns textos envelhecem rápido - e nem sempre bem. No primeiro semestre de 2008, eu era um aluno da graduação em História na PUC-Rio, tateando em busca de um tema de pesquisa para me apaixonar. Já tinha inclinações fortes pelo campo da história das religiões, mas não havia me decidido a respeito do quê exatamente iria explorar dentro dele. Um então colega de turma disse-me que eu deveria escrever sobre Lugo Méndez, um bispo católico que havia sido eleito há muito pouco tempo como Presidente do Paraguai, à revelia das normas do Vaticano e da Constituição de seu país. Aceitei a proposta e elaborei um trabalho de disciplina a respeito do tema. A professora responsável pela cadeira na qual o apresentei disse-me que eu deveria procurar publicá-lo. Aceitei a provocação e procurei uma maneira de fazê-lo.

O resultado foi um estranhíssimo exercício de história do tempo presente, vazado em um enquadramento teórico muito conservador, na qual se misturaram como arcabouço elementos da antropologia de Victor Turner e da teoria das relações entre experiência e literatura de Jorge Luis Borges. A ideia era dimensionar a militância política que levou Lugo à presidência a partir de sua base religiosa, descrevendo-a contra o plano de fundo das seculares relações entre clero católico e política institucional na América Latina, mas consegui realizar apenas uma descrição muito mais maniqueísta, na qual se confrontavam dois modelos de cristianismo: um cristianismo dos pobres, quase revolucionário, que eu conhecia de ouvir dizer da minha formação católica em uma região que, a seu tempo, absorveu alguns elementos da reflexão da Teologia da Libertação; e um cristianismo da preservação do status quo, mais político do que politizado, fortemente institucional, que era o avesso semi-oculto, mas onipresente, de toda a minha experiência do catolicismo. Da preocupação com esse segundo modelo de Igreja, segui até Eusébio de Cesareia, objeto de minha monografia de fim de graduação... Mas então já se trata de um outro estágio, descontínuo com o anterior, de minhas preocupações acadêmicas.

O artigo cujo link segue adiante, além do mais, foi superado pela própria história em curso. Em 2008 conclui este paper indicando que na figura do bispo e presidente Lugo poderia se gestar uma nova e construtiva síntese entre a atuação política e o imaginário católico latino-americano. Não foi o que aconteceu. Ou aconteceu de uma maneira muito diversa do quê eu poderia supor, com desdobramentos que me eram de todo insuspeitos. Em 2009 começaram a surgir relatos a respeito dos filhos de Lugo, concebidos enquanto ainda era sacerdote católico em exercício. Sua autoridade política, de fundo religioso - conforme argumentei em meu texto - foi ostensivamente minada pela imprensa paraguaia e internacional através da crescente ênfase nestas provas de sua infidelidade aos seus votos religiosos. A partir do momento em que admitiu uma série de relacionamentos maritais, as opiniões da base popular que havia possibilitado a eleição de Lugo à presidência começaram a se dividir mais e mais. Em junho de 2012, ele foi destituído de seu cargo pelo senado através de uma votação rápida e decisiva, na qual foi considerado culpado por "mau desempenho" enquanto presidente do Paraguai. Considerando-se vítima de um golpe, não de um impeachment, Lugo chegou a constituir um governo paralelo, que batizou de Gabinete da Restauração da Democracia, com sede em sua própria casa, em Lambaré, localidade nos arredores de Assunção. Em outro plano, políticos aliados do ex-presidente trabalharam para reverter o quatro político e garantir que Lugo reassumisse o poder executivo e concluísse o mandato presidencial. Nenhuma destas iniciativas teve sucesso: o Gabinete de Lugo foi dissolvido e o assunto de sua retomada do mandato foi dado oficialmente por encerrado. Mesmo se recusando a reconhecer a autoridade do governo constituído, Lugo foi eleito senador durante as eleições gerais de 2013, ocupando agora uma cadeira no senado e atuando pelas vias políticas costumeiras.

Em 2009, quando dos relatos de paternidade, e em 2013, quando de sua deposição, eu pensei mais de uma vez em retomar o paper publicado em 2008 e adicionar-lhe um longo post scriptum, ou talvez refundi-lo inteiramente... Decidi esperar uma e outra vez. Seria necessário escrever um novo artigo a partir dos restos do anterior. Não havendo emenda possível, o texto dado a público permanece testemunho de meu interesse e entusiasmo, de meu tatear pelo tema ao calor do momento em que ele emergia na imprensa e na pena dos analistas políticos. Espero retomar o assunto para uma reavaliação, mas apenas daqui a, talvez, uma década ou uma década e meia. O rico campo dos estudos da história do tempo presente, compreendidos em sentido estrito, é um lugar onde, agora, eu não me sinto mais exatamente confortável para semear minhas ideias.

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Título: Dom Fernando Lugo Méndez, SVD, ex-bispo emérito de São Pedro e presidente da República do Paraguai

Resumo: Primeiro bispo católico a chegar ao cargo máximo do poder executivo em uma democracia, o que criou problemas jurídicos inéditos quanto à sua situação canônica, Fernando Lugo Méndez foi eleito Presidente do Paraguai por uma ampla coalizão de partidos como alternativa às forças políticas tradicionais até então aí hegemônicas, o que representa um importante marco na consolidação do regime democrático deste país. Levado à militância partidária por motivações de base religiosa, o ex-sacerdote verbita, excomungado pelo Vaticano por seu envolvimento com a política institucional, se insere em uma tradição mais ampla de religiosos católicos que foram e são importantes atores sociais e centros simbólicos de ativismo no cenário cultural latino-americano e pode ser adequadamente dimensionado sobre o pano de fundo de um duradouro e multifacetado debate sobre a relação entre catolicismo e política no continente. 

Formato: online (disponível em http://migre.me/okGdI)

Investimento: acesso aberto

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Resenha publicada na Revista Sæculum: Cinzas que queimam. Resenha de: Jenkins, Philip. Guerra Santas... (2013)


Foi publicada uma resenha de minha autoria na edição de janeiro a junho de 2014 da Sæculum, revista acadêmica do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba (DH/UFPB). Trata-se de uma apresentação crítica do livro Guerra Santas, de Philip Jenkins, traduzido para o português por Carlos Szlak e publicado no Rio de Janeiro em 2013 pela LeYa Brasil. (Parte do livro está disponível - com uma formatação bastante estranha, mas disponível em http://migre.me/ohSEt). Infelizmente a editoração deste número da Sæculum, que veio à público em dezembro de 2014, deixou escapar alguns errinhos na revisão do texto (e criou alguns outros que não constavam na versão original que lhes enviei), de modo que, na versão da resenha que disponibilizei no meu perfil no Academia.edu (link adiante) eu acrescentei uma pequena errata depois da página final.

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Título: Cinzas que queimam

Volume resenhado: Jenkins, Philip. Guerras santas: como quatro patriarcas, três rainhas e dois imperadores decidiram em que os cristãos acreditariam pelos próximos mil e quinhentos anos. Tradução de Carlos Szlak. Rio de Janeiro: LeYa, 2013.

Formato: online (disponível - versão com a errata - em http://migre.me/ohSOw)

Investimento: acesso aberto

domingo, 18 de janeiro de 2015

Curso de Férias na Igreja do Nazareno em Vila Emil: Cristianismos Orientais: uma introdução à história das Antigas Igrejas Apostólicas (séculos I ao VII)

Prelados das Igrejas Síria Ortodoxa, Copta e Armênia abençoam a assembleia reunida ao fim da liturgia.
Igreja Ortodoxa Armênia, Nova Jersey, EUA, 2012. (Extraída de http://migre.me/obA5a).

O recesso que fiz da semana antes do Natal passado ao começo desta que acabou há pouco foi marcado por dificuldades de comunicação maiores do que imaginei. Primeiro, estive na casa dos meus pais, em uma cidade onde o sinal da internet é péssimo. Depois fiquei um certo período sem computador, cuidando da rotina online apenas pelo celular. E eu não sei atualizar um blog por aquele tipo de aparelho...

Daí eu não ter feito a adequada divulgação por aqui da nova edição do curso sobre história dos cristianismos orientais que Lucas Paiva e eu estamos oferecendo nesta segunda quinzena de janeiro em Mesquita, na Igreja do Nazareno de Vila Emil. Trata-se de uma reedição algo melhorada do curso de férias que oferecemos nos meses de janeiro e julho de 2015 na Faculdade Evangélica das Assembleias de Deus (FAECAD). Por convite do Pr. Alisson Magalhães, responsável pela área de educação dessa comunidade, retiramos o curso do ambiente acadêmico e o estamos oferecendo aos interessados em geral.

O primeiro dia deste curso, sábado passado, dia 17 de janeiro, foi extraordinário. A aula ficou a cargo do Prof. Lucas, que tratou da virada constantiniana, dos primeiros grandes Concílios Ecumênicos e da formação e particularidades da teologia e da liturgia das Igrejas Bizantinas. Fui positivamente surpreendido ao lá encontrar uma turma bem disposta e perspicaz, que transformou a aula em um intenso debate e propôs uma série de questões bastante pertinentes para discussão.

No dia 31 de janeiro, também um sábado, a aula estará a meu critério. Na parte da manhã, tratarei das antigas comunidades apostólicas da Síria Oriental, da Pérsia, da Armênia e da Índia. A parte da tarde será inteiramente dedicada a uma exposição sobres as Igrejas Etíope e Copta, que são o tema de minha pesquisa de doutorado. Eventuais interessados que estejam por perto no dia e queiram aparecer, sintam-se à vontade para se chegar por lá para conversar conosco sobre estes temas. Vocês serão muito bem-vindos.

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Título: Cristianismos Orientais: uma introdução à história das Antigas Igrejas Apostólicas (séculos I ao VII)

Formato: curso de férias (2 aulas em período integral, totalizando 12 horas/aula)

Ementa: Abordagem sinóptica a respeito das especificidades históricas e das principais questões teológicas que marcaram as trajetórias das comunidades cristãs da Europa Oriental, da Ásia e da África desde a pregação dos apóstolos até às vésperas do surgimento do Islã. Para fazê-lo de forma adequada, dar-se-á especial atenção às questões da diversidade dessas igrejas do período tardo-antigo e medieval e à historicidade dos debates realizados neste âmbito sobre a natureza divina. Assim sendo, de modo mais geral, também objetiva-se mostrar qual seu valor e importância para o cristianismo mundial de hoje, e o que podemos aprender com essas experiências cristãs diversas da ocidental.

Quando: 17/01 e 31/01 (sábados), das 9 às 17h 

Onde: Igreja do Nazareno em Vila Emil, Rua Rakel Rechuem, n. 38, Vila Emil - Mesquita / RJ. (Referência: próximo ao Centro Educacional Rakel Rechuem. Mapinha: http://migre.me/obzKf)

Investimento: R$ 35,00 por aula (para se inscrever é necessário mandar um e-mail para pralisson.magalhaes@hotmail.com. Novas inscrições também podem ser feitas no local, 15min antes do início da exposição)


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