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terça-feira, 21 de março de 2017

Comunicação no 5º Encontro Nacional de Estudos Egiptológicos Ciro Flamarion Cardoso: Como um grão de mostarda: significados e antecedentes históricos do milagre da montanha de Muqattam (975)


O Grupo de Estudos Kemet (GEKemet) é responsável pela coordenação dos estudos acadêmicos sobre o Egito Antigo na Universidade Federal Fluminense (UFF) desde 2014, tendo iniciado sua trajetória na Universidade Federal do Rio de Janeiro no ano anterior, com apoio do Laboratório de História Antiga (LHIA/UFRJ). Sua inserção na UFF deu-se com o intuito de suprir o espaço deixado pelo excelentíssimo Prof. Dr. Ciro Flamarion Cardoso (1942-2013), algo possibilitado pela sua filiação ao Centro de Estudos Interdisciplinares da Antiguidade da mesma universidade (CEIA/UFF). Nos dias 28, 29 e 30 de março corrente (terça, quarta e quinta-feira da próxima semana) o GEKemet realizará o V Encontro Nacional de Estudos Egiptológicos Ciro Flamarion Cardoso, excelente oportunidade para a divulgação das pesquisas em curso na área, assim como para o estabelecimento de novos contatos acadêmicos. A programação completa e os resumos dos trabalhos a serem apresentados no V ENEE encontram-se disponíveis em https://tinyurl.com/lmdr3g9.

No âmbito deste evento, participarei como comunicador da mesa-redonda que irá se realizar no dia 29/03, quarta-feira, das 16h30 às 18h30, no auditório do bloco O do Campus do Gragoatá da UFF. Minha fala será sobre o milagre da montanha de Muqattam, um importe lugar de memória dos cristãos coptas nos primeiros anos do governo fatímida no Egito (969-1171). Sou imensamente grato ao GEKemet que, por intermédio da historiadora Beatriz Moreira da Costa, convidou-me a integrar a mesa, abrindo a perspectiva de inserir no campo dos estudos egiptológicos brasileiros, que se encontra em plena renovação e florescimento, também a discussão sobre o Egito cristão e muçulmano. Eventuais colegas que possam aparecer por lá, serão muito bem vindos. A inscrição do evento custa apenas um valor simbólico e pode ser feita na própria ocasião da participação.

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Título: Como um grão de mostarda: significados e antecedentes históricos do milagre da montanha de Muqattam (975)

Resumo: Abraão Ibn Za’rah, um rico mercador sírio, foi eleito chefe da Igreja Ortodoxa Copta em 975 e esteve à sua frente por três anos, até ser assassinado por um fiel inconformado com suas tentativas de empreender a reforma moral de seu rebanho. Durante o seu curto período de governo, manteve uma relação muito próxima e ambígua com Al-Muizz li-Din Allah, quarto califa fatímida e conquistador do Egito. Tal relação foi objeto de várias narrativas mais ou menos fantasiosas que mais tarde vieram a integrar o folclore cristão egípcio; a mais famosa delas envolve o desafio e ameaça feitas por Al-Muizz, sob instigação de seu vizir, Abu Ya’qub ibn Killis, um judeu islamizado, de que realizasse um grande milagre diante de sua presença como comprovação da sinceridade de sua fé, sob o risco de que, se isto não fosse feito, todos os coptas seriam exterminados. A tradição copta registra que o milagre foi realizado, de modo que o Patriarca conquistou para si e para os seus a simpatia do Califa, revertida na reconstrução de certo número de igrejas então em ruínas. O objetivo desta fala é, recontando este episódio, fazer um apanhado tanto do sentido de seu registro, quanto das complexas relações de força que, estruturando a sua gênese, dão notícia do estado das interações entre cristãos e muçulmanos no Egito ao fim do primeiro milênio depois de Cristo.

Formato: comunicação em mesa de debates

Quando: 29/03 (quarta-feira), das 16h30 às 18h30

Onde: Auditório do 2º andar do Bloco O, Campus do Gragoatá da Universidade Federal Fluminense, Niterói/RJ ← O local saiu com um erro na programação do evento. Esta é a informação correta.

Investimento: R$ 15 (a inscrição como ouvinte deve ser feita durante o próprio evento)




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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Comunicação publicada nos Anais do 2º Simpósio Sudeste da ABHR: Duas conjuras: religião e política em um episódio da vida do Patriarca Agatão de Alexandria (c.670)


Descobri ainda há pouco que estão devidamente publicados os Anais do 2º Simpósio Sudeste da Associação Brasileira de História das Religiões: gênero e religião - violência, fundamentalismos e política. Aí consta um texto de minha autoria, versão expandida da comunicação que apresentei neste evento, realizado em novembro de 2015 na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), no âmbito do GT O Oriente e suas diversidades religiosas. Esse escrito também é um subproduto de minha pesquisa de doutorado, e versa sobre um episódio complexo e violento envolvendo coptas, melquitas e muçulmanos ainda nas primeiras décadas de domínio árabe do Egito.

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Título: Duas conjuras: religião e política em um episódio da vida do Patriarca Agatão de Alexandria (c.670)

Resumo: Na longa tradição de comentários ocidentais sobre o Vale do Nilo, não foram poucos os autores que sublinharam que a história egípcia, especialmente no que refere às técnicas da sobrevivência e às práticas religiosas, parece compor-se por mais continuidades do que rupturas. Estas, entretanto, estão longe de serem inexistentes, principalmente no âmbito da história política. O Egito do último quarto do século VII, por exemplo, era fundamentalmente diverso daquele de cem anos antes quanto a esse aspecto particular. Uma nova variável político-religiosa surgida no cenário por volta do meado desse intervalo – o Islã – havia feito deslizar de maneira sutil, mas significativa a proximidade entre o espaço de experiência e o horizonte de expectativa dos agentes sociais então sediados no Vale do Nilo. A complexa dialética de continuidade e ruptura implicada nesse processo, somada aos atravessamentos que aí se verificam entre história política e religiosa, parecem-me os mais interessantes. Para tratar dele, partirei de um episódio particularmente complexo, descrito em um parágrafo da vita do Patriarca Agatão de Alexandria, cujo pontificado deu-se de 661 a 677.

Formato: online (disponível http://tinyurl.com/juyfcaw)

Investimento: acesso aberto

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Comunicação na 4ª Semana de Egiptologia do Museu Nacional: Relações perigosas: etiqueta, extorsão e debate inter-religioso em dois (des)encontros entre o Papa João de Samannûd e o Emir Abd al-Aziz (685-686 d.C.)


A Semana de Egiptologia do Museu Nacional (SEMNA) é uma atividade promovida desde 2013 pelo Laboratório de Egiptologia do Museu Nacional (SESHAT), vinculado ao Programa de Pós-graduação em Arqueologia do Museu Nacional (PPGArq-MN/UFRJ). A SEMNA objetiva reunir pesquisadores da área de Egiptologia oriundos de diversos campos de investigação em um ambiente propício ao debate e à cooperação acadêmica; pretende também ser meio de divulgação do conhecimento especializado sobre o Egito Antigo à comunidade não acadêmica, de forma a promover o desenvolvimento da Egiptologia no Brasil também para além dos muros da universidade, aproximando o grande público interessado dos pesquisadores. Neste ano de 2016, a SEMNA ocorrerá dos dias 28 de novembro a 2 de dezembro; suas atividades, salvo indicação contrária na programação, serão realizadas no Auditório do Horto do Museu Nacional (que fica perto da saída Quinta da Boa Vista da Estação São Cristóvão de trem e metrô). Para se inscrever como ouvinte, há uma taxa de inscrição (simbólica) de R$ 15; as instruções para a realização disto constam em http://tinyurl.com/hjn6sm8

No dia 29/11, das 13h às 15h, terei a feliz oportunidade de participar da mesa de debates Imagem, religião e poder, organizada e coordenada pela Prof.ª Dr.ª Gisela Chapot (PPGArq-MN/UFRJ). Apresentarei o trabalho de título Relações perigosas: etiqueta, extorsão e debate inter-religioso em dois (des)encontros entre o Papa João de Samannûd e o Emir Abd al-Aziz (685-686 d.C.). Todas apresentações de pesquisas feitas durante a SEMNA serão decerto muito interessantes, mas convido de modo especial os colegas e interessados em geral a que apareçam durante a referida mesa de debates; vossa presença muito me honrará.

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Título: Relações perigosas: etiqueta, extorsão e debate inter-religioso em dois (des)encontros entre o Papa João de Samannûd e o Emir Abd al-Aziz (685-686 d.C.)

Resumo: De 677 a 688 d.C. o Patriarca João de Samannûd governou a Igreja Ortodoxa Copta; tratava-se de um período em que se ajustava, dentro de uma relação muito assimétrica de número e capacidade de atuação, um modus vivendi entre os árabes muçulmanos, que haviam entrado no Egito como conquistadores nos anos de 639 a 641, e os cristãos autóctones, divididos de modo então quase inconciliável entre coptas e melquitas – uma cisão de ordem tanto estritamente teológica quanto sociopolítica e linguístico-cultural. De 685 a 705, a região esteve sob o governo do Emir Abd al-Aziz, filho mais novo do Califa Marwan ibn al-Hakam, o quarto dos soberanos omíadas; com este personagem, profundamente empenhado em organizar as receitas da província sob sua responsabilidade através de uma nova política de arrecadação de impostos e de extorsões realizadas contra notáveis da região, o Patriarca João teve uma relação que pode ser classificada, no mínimo, como ambígua. O objetivo desta comunicação é esboçar as variáveis constitutivas desta ambiguidade através da reconstituição e análise de dois de seus encontros – ocorridos nos dois primeiros anos do governo de al-Aziz – e seus desdobramentos, para com isto pensar os termos da relação entre a hierarquia ortodoxa copta e as autoridades muçulmanas durante o primeiro século de domínio islâmico no Egito.

Formato: comunicação em mesa de debates

Quando: 29/11 (terça-feira), das 13h às 15h

Onde: Auditório do Horto, Museu Nacional do Rio de Janeiro, Quinta da Boa Vista, São Cristóvão, Rio de Janeiro / RJ

Investimento: R$ 15 (requer inscrição prévia como ouvinte) 



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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Mesas de comunicações no Comunicação no XXVI Ciclo de Debates em História Antiga (LHIA-IH/UFRJ): O Mediterrâneo Cristão na Antiguidade Tardia


O Ciclo de Debates em História Antiga é um evento anual promovido pelo Laboratório de História Antiga do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LHIA-IH/UFRJ). Desde o seu início, em 1991, o Ciclo de Debates se tornou um locus privilegiado para os pesquisadores brasileiros em História Antiga divulgarem seus trabalhos; seu objetivo primeiro é justamente o de propiciar uma discussão interdisciplinar entre História, Letras Clássicas, Filosofia, Arqueologia, Epigrafia e Antropologia.

Na vigésima sexta edição do Ciclo, que se realizará nos próximos dias 26 a 29, nós do precocemente finado Grupo de Estudos Tardo-Antigo e Medievais (GETAM/FSB) estaremos realizando duas mesas de comunicações (a n. 17 e a n. 18), que ocorrerão simultaneamente no dia 28/9, quarta-feira, das 18h às 19h30, com o tema O Mediterrâneo Cristão na Antiguidade Tardia. Os trabalhos que serão apresentados nestas, assim como os locais de sua realização, encontram-se discriminados no (segundo) cartaz abaixo. A programação completa do evento está disponível em http://tinyurl.com/hpvv9yp. O acesso às suas atividades é franqueado a todos os interessados, e a participação de ouvintes é gratuita.

Eventuais colegas que estejam disponíveis, apareçam por lá na quarta-feira, dia 28, no fim da tarde e começo da noite para papearmos um bocado. Será uma alegria grande recebê-los e ouvi-los também.



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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Comunicação na 10ª Semana de História Política (PPGH/UERJ): Por vontade de Deus: a investida sassânida de 614-618 no espelho cristão


Na tarde do dia 22 de outubro de 2015, no âmbito do Simpósio Temático Historiografia e Antiguidade: novas perspectivas e abordagens, realizado na 10ª Semana de História Política do Programa de Pós-Graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGH/UERJ), apresentei a comunicação Por vontade de Deus: a investida sassânida de 614-618 no espelho cristão.

Esse texto é o primeiro produto devidamente publicado de minha pesquisa de Doutorado no mesmo Programa de Pós-Graduação, realizada sob projeto que tem como título Os dois primeiros séculos de interações cristão-muçulmanas na "História do Patriarcado Copta de Alexandria". Convido os interessados à leitura, no ansioso aguardo de comentários a respeito.

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Título: Por vontade de Deus: a investida sassânida de 614-618 no espelho cristão

Resumo: Em 614 exércitos persas ocuparam a cidade de Jerusalém. Quatro anos mais tarde tomaram Alexandria, estabelecendo uma ocupação duradoura. Tal campanha, que expôs de modo dramático a fragilidade da autoridade bizantina sobre as províncias levantinas e africanas do Império Romano, implicou danos severos para a infraestrutura religiosa da região, já abalada por mais de um século de violentos conflitos deflagrados por polêmicas teológicas. Pretende-se retomar documentos que tratam dessa investida persa – duas vidas constantes da História do Patriarcado Copta de Alexandria e o relato da invasão de Jerusalém por Antíoco Estratego – para pensar como os invasores foram representados em fontes eclesiásticas.

Formato: online (disponível em http://migre.me/t13bx)

Investimento: acesso aberto

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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Comunicação na 3ª Jornada de Antropologia da Devoção: Devoção e circulação de relíquias no Facebook: mapeamento inicial

Imagem extraída de http://migre.me/ppaJi

No dia 13 de abril, segunda-feira, irá ocorrer a 3ª Jornada de Antropologia da Devoção, realizada no Museu Nacional do Rio de Janeiro por iniciativa da coordenação e dos pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Antropologia da Devoção (GPAD), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da mesma instituição (PPGAS-MN/UFRJ). O evento será constituído por apresentações de trabalhos de pesquisadores do dito grupo de pesquisa, divididos em quatro mesas (a programação completa e os resumos das comunicações estão disponíveis em http://migre.me/pp8RI). Na primeira destas sessões, intitulada Devoção, pessoas e coisas, a ser realizada logo após a abertura da Jornada, no intervalo das 9h30 às 11h, lerei o trabalho "Devoção e circulação de relíquias no Facebook: mapeamento inicial", primeira apresentação de material referente ao projeto "Comércio, autenticidade e devoção: a circulação de relíquias de santos católicos no e-commerce", investigação que estou realizando como recém-ingresso pesquisador do GPAD e cujo desenvolvimento iniciou-se ainda no começo deste ano.

Apresento a seguir o resumo desta minha comunicação e convido todos os interessados em antropologia, história e ciências da religião a participarem desta 3ª Jornada de Antropologia da Devoção. A inscrição prévia não é necessária, e a atividade é gratuita.

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Título: Devoção e circulação de relíquias no Facebook: mapeamento inicial

Resumo: O culto e a circulação das relíquias de santos católicos têm sido tradicionalmente tratados pela historiografia – e principalmente pela historiografia de origem confessional – como um atavismo pré-cristão ou como um anacronismo do âmbito devocional. A demanda contemporânea por este tipo de objeto, entretanto, borra a verossimilhança deste tratamento e faz com que seja necessário repensar o culto e a circulação das relíquias dos santos católicos para além das definições já sedimentadas; não mobilizando um aparato analítico que se propõe prescindir das categorias nativas envolvidas em sua definição e dinâmica, mas realizando uma abordagem que efetivamente as leve a sério. Como contribuição neste sentido, pretende-se apresentar um primeiro mapeamento do vocabulário e das interações implicadas em um conjunto de grupos e páginas do Facebook organizados e movimentados em idioma português para fomentar a devoção e viabilizar a circulação destas relíquias entre seus membros. Pretende-se com isso também esboçar um perfil inicial dos sujeitos envolvidos na apropriação online deste tipo de objeto.

Formato: comunicação oral

Quando: 13/04 (segunda-feira), das 9h30 às 11h

Onde: Auditório Roquette Pinto, Museu Nacional do Rio de Janeiro, Quinta da Boa Vista, São Cristóvão - Rio de Janeiro / RJ


Investimento: atividade gratuita (não requer inscrição prévia)


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sábado, 28 de março de 2015

Comunicação no Vertentes do fantástico no Brasil: tendências da ficção e da crítica (SEPEL/UERJ): Ambiguidades do catolicismo no gótico americano: Ar frio (1926) e O assombro nas trevas (1935), de H. P. Lovecraft


Nos dias 30 de março a 1º de abril, segunda a quarta-feira da próxima semana, irá ocorrer na Universidade do Estado do Rio de Janeiro o Vertentes do fantástico no Brasil: tendências da ficção e da crítica, evento que reúne em seu âmbito o VI Encontro Nacional O insólito como questão na narrativa ficcional e o XIV Painel de reflexões sobre o insólito na narrativa ficcional. O evento, realizado pelo Seminário Permanente de Estudos Literários da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, contará, entre conferências, grupos de trabalhos e sessões de comunicações livres, com a reunião de dois Simpósios Temáticos promovidos pelo Grupo de Pesquisa Estudos do Gótico: o As faces do gótico do Brasil (ST1) e o As faces do gótico no mundo (ST2). No âmbito deste segundo, apresentarei na sessão de comunicações a ser realizada na segunda-feira, dia 30/03, das 13h às 15h, o trabalho Ambiguidades do catolicismo no gótico americano: Ar frio (1926) e Assombro nas trevas (1935), de H. P. Lovecraft, cujo resumo apresento a seguir.

A programação e caderno de resumos do evento encontram-se disponíveis em http://migre.me/pcB4w. Para os que se interessam pelo tema e precisam de certificado, as inscrições como ouvintes podem ser feitas no correr do próprio encontro, que é talvez o maior painel nacional do que vem sendo realizado neste campo de estudos. Se alguém se interessa pelo tema, mas não precisa do certificado, bem, então simplesmente sê bem-vindo por lá.

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Título: Ambiguidades do catolicismo no gótico americano: Ar frio (1926) e O assombro nas trevas (1935), de H. P. Lovecraft

Resumo: Entre outras coisas, o romance gótico surgiu e lançou fortes raízes no ambiente criado pela propaganda anticatólica nos países reformados do Norte da Europa, supondo desde os seus primeiros exemplares uma representação hierarquizada que situa o temível nos tempos (a Idade Média), espaços (a Espanha, a Itália, a Europa Oriental) e instituições (o castelo feudal, o mosteiro, a inquisição) associados no imaginário moderno à Igreja Romana. Tal traço constitutivo desse tipo de literatura desenvolveu-se de modo muito particular nos EUA, onde a ele se somou na segunda metade do século XIX e na primeira do XX a identificação do católico com a figura do imigrante irlandês ou mediterrânico. Isso não quer dizer que, em sua continuidade, a representação do catolicismo na literatura gótica não se tornasse eventualmente mais ou menos ambígua. A partir de tais considerações preliminares, o objetivo deste trabalho é tecer uma reflexão sobre a representação das devoções e instituições católicas na obra de Howard Phillips Lovecraft (1890-1937), que, ao criar sua mitologia de horror cósmico, foi um importante leitor e recriador do gênero gótico. Para tanto, irá se tomar como objetos de análise dois de seus contos, Ar frio (1926) e O assombro nas trevas (1935), propondo como um possível contexto de leitura para estas peças o contato de Lovecraft com o romance O fauno de mármore (1860), a estória italiana de Nathaniel Hawthorne. Com isto se quer fazer uma pequena contribuição ao campo de pesquisa aberto pelo debate entre S. T. Joshi e Robert M. Price a respeito do papel da religião na obra de Lovecraft, um pouco ao modo do estudo exploratório de Ian Almond sobre a representação do Islã nos escritos desse autor.

Formato: comunicação oral

Quando: 30/03 (segunda-feira), das 13h às 15h

Onde: Sala 4, bloco D, UERJ, s.n., Maracanã - Rio de Janeiro / RJ

Investimento: atividade gratuita (requer inscrição como ouvinte e pagamento de taxa correspondente para os que desejarem participar de outras atividades do evento)

terça-feira, 3 de março de 2015

Comunicação na 1ª Jornada de Psicologia Social (UNIABEU): Linha, novelo e leque: algumas sinuosidades no relacionamento entre história e memória


Nos dias 16 e 17 de outubro de 2014, o Departamento de Psicologia da Associação Brasileira de Ensino Universitário - Faculdades Integradas (DP/UNIABEU), realizou no seu campus-sede, em Belford Roxo / RJ, a primeira edição de suas Jornada Integradas de Psicologia Social. No dia 16, realizou-se neste âmbito a 1ª Jornada de Psicologia Social, que teve como tema "Memórias, culturas, diversidades" e, pela manhã, a mesa multidisciplinar "O que é memória? O que significa lembrar? O que é esquecer?" Graças ao gentil convite do Prof. Me. Diogo de Souza Nunes, professor da casa, tive a alegria de poder participar dessa mesa, na qual proferi a comunicação que compartilho a seguir. Imagino não ter feito feio representando o olhar particular dos historiadores a respeito da temática posta sob discussão, e fico feliz por ter então estabelecido um interessante diálogo com colegas vindos da Psicologia Social e de outras áreas das Humanidades.

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Título: Linha, novelo e leque: algumas sinuosidades no relacionamento entre história e memória

Formato: online (disponível em http://migre.me/oRvY1)

Investimento: acesso aberto

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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Comunicação no Scientiarum Historia VI (HCTE/UFRJ): O Myriobiblon: as miríades de saberes na Bibliotheca de Fócio de Constantinopla - iniciando um mapeamento da medicina bizantina no século IX


No Scientiarum Historia VI, congresso promovido pelo Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no qual apresentei a comunicação "Ecologia e história em dois textos de Luiz de Castro Faria (1942-1944)", subproduto do projeto de pesquisa ao qual estava então institucionalmente vinculado, também tive a feliz oportunidade de dar a público um trabalho preparado em parceria com a queridíssima amiga Alessandra Serra Viegas, que é estudiosa de literatura, professora de grego, historiadora, teóloga e poetisa.

O texto produzido a quatro mãos, de título "O Myriobiblon: as miríades de saberes na Bibliotheca de Fócio de Constantinopla. Iniciando um mapeamento da medicina bizantina no século IX" foi uma primeira tentativa de minha parte de abordar por escrito e a sério a vida intelectual bizantina, que tanta atração contínua tem exercido sobre mim. Decidimo-nos por trabalhar com um dos textos fundadores da erudição do Império Romano do Oriente, o Myriobiblon (em latim, Bibliotheca), composto por Fócio de Constantinopla, importante personagem da história política, religiosa e intelectual do mundo mediterrânico da Alta Idade Média. Neste âmbito, e também para nos mantermos dentro da proposta do evento onde nos inscrevemos, interessou-nos particularmente a forma como está figurada no Myriobiblon o conhecimento referente às artes médicas.

Por motivos diversos, Alessandra e eu ainda não conseguimos voltar até agora à pesquisa então iniciada. O desejo de fazê-lo, entretanto, ainda não cessou - e continuo a sonhar com o dia em que possa ler em língua portuguesa esta borgeana reunião de saberes.

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Título: O Myriobiblon: as miríades de saberes na Bibliotheca de Fócio de Constantinopla. Iniciando um mapeamento da medicina bizantina no século IX

Resumo: Fócio de Constantinopla (c. 820-891) foi membro da burocracia bizantina, diplomata e eclesiástico. Nos idos de 840-850, compôs a obra a que chamou Myriobiblon, ou Bibliotheca, na qual comentou duzentos e oitenta livros – alguns somente por meio dele nos são conhecidos. Seu principal interesse é a teologia e a história eclesiástica, porém se dedica também a vários outros assuntos. Como pouco se sabe sobre a formação específica de Fócio, sua Bibliotheca converte-se em uma súmula de quais volumes um erudito podia ou se interessava em ler na Constantinopla do século IX. Nesta primeira pesquisa, mapearemos sucintamente os códices da Bibliotheca que se detêm em obras médicas, visando a descobrir a que autores e escritos Fócio tinha acesso ou interesse para abordar os temas da saúde e da doença.

Formato: online (disponível em http://migre.me/n8WSg)

Investimento: acesso aberto

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Comunicação no XVI Encontro Regional de História (ANPUH-Rio): A viagem de Luiz de Castro Faria ao Vale do Paraíba Fluminense (1939): uma pequena pesquisa etnográfica no Brasil no fim da década de 1930

Gino Severini, Trem da Cruz Vermelha atravessando um vilarejo, verão de 1915. (Extraída de http://migre.me/mXgRT)

No dia 1º de agosto de 2014 eu apresentei no XVI Encontro Regional de História, promovido pela Seção Regional do Rio de Janeiro da Associação Brasileira de História (ANPUH-Rio), meu último trabalho resultante do período que passei trabalhando com o Acervo Castro Faria como bolsista no Museu de Astronomia e Ciências Afins. Tive a felicidade de redigir esta comunicação em conjunto com a colega Lucimeire de Silva Oliveira, que permaneceu trabalhando na mesma casa com aquela rica coleção de documentos. Apesar da grande brevidade exigida pelas normas do evento e pela curta duração programada para a apresentação, considerei bastante interessante o resultado, escrito e falado, deste empreendimento comum.

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Título: A viagem de Luiz de Castro Faria ao Vale do Paraíba Fluminense (1939): uma pequena pesquisa etnográfica no Brasil no fim da década de 1930

Resumo: A presente comunicação busca analisar uma das facetas da carreira de um dos fundadores da antropologia no Brasil: Luiz de Castro Faria. Formado na tradição da antropologia produzida no Museu Nacional, Castro Faria fez pesquisa nos campos, então intimamente ligados, da arqueologia, da antropologia biológica e da etnografia. Este antropólogo fez durante toda sua carreira pesquisas de campo, viajando por quase todo país, analisando principalmente sua cultura social e econômica, observando as diferentes geografias. Na semana de 28 de novembro a 3 de dezembro de 1939, Luiz de Castro Faria fez uma viagem por algumas cidades do Vale do Paraíba Fluminense, fazendo observações preliminares e recolhendo material para um possível projeto de pesquisa. Na ocasião, Castro Faria trabalhava como praticante gratuito da Seção de Antropologia e Etnografia do Museu Nacional, onde havia sido admitido em 1936, local em que trabalhou inicialmente sob a orientação de Heloísa Alberto Torres. De meados de abril ao fim de dezembro de 1938, ele participou como representante do Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas do Brasil da Expedição à Serra do Norte, liderada por Claude Lévi-Strauss. Tratou-se, literalmente, de um batismo em sua trajetória científica; inclusive porque a partir da participação nesta última grande viagem etnográfica do século XX, Castro Faria – que só se tornaria naturalista interino do Museu Nacional em 1942 – pôde realizar suas próprias pesquisas de campo. As duas dezenas e meia de páginas que compõem o diário da citada viagem de Castro Faria pelo Vale do Paraíba Fluminense em 1939 são um bom registro acerca das questões em pauta e das condições da produção etnográfica de um jovem pesquisador ligado à Seção de Antropologia e Etnografia do Museu Nacional em fins da década de 1930. Apesar do projeto de pesquisa, então esboçado, não ter resultado em uma monografia, ele se coloca como uma série desigual de observações que permite o nosso acesso ao diálogo íntimo então travado pelo etnógrafo no contato da realidade observada, anotada e fotografada no Vale do Paraíba com suas questões e inquietações anteriores à partida para campo. O presente trabalho propõe, portanto, uma leitura deste caderno de viagem como fonte documental para a história da antropologia no Brasil. Como metodologia de campo, Castro Faria fez uso da chamada antropologia ecológica, mostrando assim a importância do estudo “das relações das diversas comunidades entre si e com o meio onde viviam.” Dessa maneira, a presente comunicação busca fazer uma análise dos diários de viagem de Castro Faria, detendo-se neste olhar, no qual se evidencia o interesse deste autor pelo estudo das relações entre os agrupamentos humanos e o meio naturais nos quais estão inseridos.

Formato: online (disponível em http://migre.me/mXhx0)

Investimento: acesso aberto

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Comunicação no Scientiarum Historia VI (HCTE/UFRJ): Ecologia e história em dois textos de Luiz de Castro Faria (1942-1944)

Currutela de um garimpo no Rio Coxipó-açu, nas proximidades de Cuiabá / MT. "A currutela é o povoado que surge de um dia para o outro, como por encanto, ao lado dos monchões. Tem o caráter das cousas provisórias, mal definidas, pois o seu próprio destino é incerto. Pode transformar-se em cidade ou converter-se em tapera". Luiz de Castro Faria, "Garimpos". Revista do Museu Nacional, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, 1944, p. 5. (Extraído de http://migre.me/mWjbj). 

Entre setembro e outubro de 2013, reuni algumas anotações e escrevi a comunicação "Ecologia e história em dois textos de Luiz de Castro Faria (1942-1944)" para ser apresentada no Scientiarum Historia VI, congresso promovido pelo Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Esse escrito foi uma tentativa de dar um outro rumo para meu trabalho no Acervo Castro Faria, abrangendo uma questão distinta daquela da pesquisa deste antropólogo com os sítios arqueológicos conhecidos como sambaquis. Foi composto um tanto apressadamente, e entre sua redação e apresentação lançaram-se sobre mim uma série quase infindável de problemas; mesmo assim o compartilho, mais para fins de curiosidade e registro.

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Título: Ecologia e história em dois textos de Luiz de Castro Faria (1942-1944)

Resumo: Luiz de Castro Faria integrou-se como estagiário na Seção Antropologia e Etnografia do Museu Nacional (MN) em 1936. Em 1938 participou da Expedição à Serra do Norte, e em 1942 foi contratado como naturalista do MN. Nos anos 1940, encontrava-se vinculado ao referencial de pesquisa antropológica da ecologia humana, ou seja, a um paradigma científico que não comportava uma dissociação absoluta entre ciências biológicas e sociais. Analisa-se aqui como foram abordadas por este autor o processo histórico e o relacionamento dos grupos humanos com o meio natural nos textos Notas sobre Santa Catarina, de 1942, e Garimpos, de 1944. Com isto, objetiva-se compreender melhor que tipo de conhecimento que podia produzir um cientista vinculado à tradição de pesquisa do MN no período considerado.

Formato: online (disponível em http://migre.me/mWjCL)

Investimento: acesso aberto

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Comunicação no Centenário de Luiz de Castro Faria: Uma antropologia universal para pensar o local: o Acervo Castro Faria

Caixas de documentos na biblioteca pessoal de Luiz de Castro Faria (extraída de http://migre.me/mNsvD, segunda foto)

Em 5 de julho de 2013, o Museu de Astronomia e Ciências Afins realizou evento comemorativo do centenário do nascimento do antropólogo Luiz de Castro Faria (1913-2013), sob o tema Antropologia universal e cultural local (cf. imagem abaixo). No âmbito das atividades deste, na mesa-redonda Ciência universal e cultura local: Casto Faria, memória e divulgação científica, apresentei a comunicação "Uma antropologia universal para pensar o local: o Acervo Castro Faria".

O tema e título desta fala me foram propostas pela Prof.a Dr.a Heloisa Maria Bertol Domingues, uma das curadoras do Acervo Castro Faria e então minha orientadora no trabalho nele. Ela ensejou a oportunidade de apresentar algumas de minhas ideias, nutridas desde 2007, diretamente aos mais legítimos herdeiros intelectuais desse ilustre pai da antropologia fluminense. Tal texto gerou-me meia dúzia de narizes torcidos e um par de críticas realmente severas por ocasião de sua apresentação pública, e talvez tenha sido aquilo que escrevi que até agora mais consequências imediatas teve sobre minha trajetória acadêmica e profissional. Certo é, entretanto, que não só continuo a subscrever inteiramente as ideias nele apresentadas, como o aprecio de forma particular; aí tive a oportunidade de balbuciar algumas questões que não encontraram outra forma de expressão em nenhum momento de meu contato acadêmico com o Acervo Castro Faria.

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Título: Uma antropologia universal para pensar o local: o Acervo Castro Faria

Resumo: Nesta comunicação se tece uma reflexão a respeito da prática de pesquisa antropológica de Luiz de Castro Faria. Usa-se como principal fonte para a discussão os processos de organização e doação de seu acervo pessoal ao Arquivo de História da Ciência do Museu de Astronomia e Ciências Afins (AHC-MAST/MCT), que até o recebimento deste conjunto de documentos custodiava os acervos apenas de cientistas ligados às ciências exatas e da natureza. Busca-se evidenciar como no arranjo e nesta destinação dos registros de seu trabalho, assim como em algumas de suas formulações a respeito do que deveria ser a pesquisa antropológica, articula-se a observação do local com a formulação de um conhecimento científico de validade universal.

Formato: online (disponível em http://migre.me/mNsLh)

Investimento: acesso aberto


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Comunicação no Scientiarum Historia IV (HCTE/UFRJ): O estudo e conservação dos sambaquis em uma correspondência entre Pe. João Alfredo Rohr, S.J., e Luiz de Castro Faria (Florianópolis - Rio de Janeiro, agosto de 1960)

Forno onde eram transformadas em cal as conchas extraídas do Sambaqui de Cabeçuda, Laguna / SC, cuja atividade foi documentada por Luiz de Castro Faria no ano de 1947. (Extraído de: LIMA, Tania Andrade. Luiz de Castro Faria, também um arqueólogo. In: Memórias da C&T - Série Produção Científica Brasileira. Disponível em http://migre.me/mMpsc. Foto n. 8)

Na mesma semana em que apresentei a comunicação "O problema dos sambaquis segundo Luiz de Castro Faria: notas de leitura" na I Jornada em História das Ciências e da Saúde (PPGHCS-COC/FIOCRUZ), apresentei também um pequeno texto de nome "O estudo e conservação dos sambaquis em uma correspondência entre Pe. João Alfredo Rohr, S.J., e Luiz de Castro Faria (Florianópolis-Rio de Janeiro, agosto de 1960)" no Scientiarum Historia IV, congresso promovido pelo Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Nesta ocasião tive a oportunidade de discutir a abordagem específica que viria a ser a de minha dissertação de mestrado com um público de estudiosos bastante eclético, saindo da mesa de que participei com a clara noção de que o campo da história social das ciências ainda está em aberto e necessita ser justificado diante de outras abordagens concorrentes e nem sempre convergentes do fenômeno da produção e gestão de saberes.

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Título: O estudo e conservação dos sambaquis em uma correspondência entre Pe. João Alfredo Rohr, S.J., e Luiz de Castro Faria (Florianópolis - Rio de Janeiro, agosto de 1960)

Resumo: Em agosto de 1960, João Alfredo Rohr escreveu a Luiz de Castro Faria manifestando admiração por seu texto O problema da proteção aos sambaquis, publicado pouco antes, mas inicialmente apresentado em 1952 como relatório ao Conselho Nacional de Pesquisas. Nesta mesma carta, Rohr também faz questão de afirmar que ele já fazia pesquisas com aquele tipo de jazida arqueológica como as que O problema da proteção aos sambaquis propunha que deveriam ser realizadas. Luiz de Castro Faria, antropólogo, ligado ao Museu Nacional desde 1936 e praticante da pesquisa arqueológica como um método de investigação antropológica, vinha estudando os sambaquis fazia ao menos duas décadas e se destacando na militância por sua preservação e sistemática investigação; também havia feito escavações nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. João Alfredo Rohr, padre jesuíta, então diretor do Colégio Catarinense, professor e responsável pelo Museu de História Natural desta instituição, estava interessado em tais vestígios pré-históricos desde antes de sua chegada a Florianópolis, em 1941. Ao lidar com este tema, ambos tratavam de questões referentes às relações entre o povoamento indígena antigo do território do Brasil meridional e o estudo etnográfico das populações contemporâneas que aí subsistem, e à conservação destes sítios diante da exploração da antiga indústria do chamado "cal de mariscos". O presente trabalho objetiva traçar uma genealogia da admiração e sinalização de convergência de propósitos manifestas na citada correspondência enviada por Rohr a Castro Faria, que viria a ser fundamento de uma futura colaboração profissional. Para fazer isto, faremos menção a como o padre jesuíta começou a desenvolver suas pesquisas arqueológicas de forma relativamente independente, e tomaremos como base a leitura de O problema da proteção aos sambaquis como texto que respondeu e incrementou algumas questões tratadas como pertinentes por Rohr em sua Contribuição para a etnologia indígena do Estado de Santa Catarina, publicada dez anos antes.

Formato: online (disponível em http://migre.me/mMpfV)

Investimento: acesso aberto

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Comunicação na 1ª Jornada em História das Ciências e da Saúde (PPGHCS-COC/FIOCRUZ): O problema dos sambaquis segundo Luiz de Castro Faria: notas de leitura

(Extraída de: CASTRO FARIA, Luiz de. O problema da proteção aos sambaquis. [1959]. In: Antropologia: escritos exumados 2. dimensões do conhecimento antropológico. Apresentação de Antônio Carlos de Souza Lima. Niterói: Ed. UFF, 1999. Coleção “Antropologia e Ciência Política”, v. 19. p. 257).

Em 19 de outubro de 2011, apresentei a comunicação "O problema dos sambaquis segundo Luiz de Castro Faria: notas de leitura" na I Jornada em História das Ciências e da Saúde. Tratou-se de evento organizado pelos alunos da Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (PPGHCS-COC/FIOCRUZ) e realizado nas instalações do mesmo programa. Este foi o primeiro texto que publiquei no âmbito da pesquisa com a documentação do Acervo Castro Faria realizada simultaneamente no Museu de Astronomia e Ciências Afins e no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

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Título: O problema dos sambaquis segundo Luiz de Castro Faria: notas de leitura

Resumo: Neste trabalho analisa-se como o problema dos sambaquis aparece em dois dos artigos que o antropólogo Luiz de Castro Faria escreveu a este respeito: O problema dos sambaquis do Brasil: escavações recentes no sítio de Cabeçuda (Laguna, Santa Catarina), de 1952, e O problema da proteção aos sambaquis, de 1959. Busca-se com isto verificar como a pesquisa antropológica que este autor realizava e propunha dialogava e distanciava-se dos estudos anteriores realizados neste tipo de sítio arqueológico; assim como, no argumento de Castro Faria, o tipo de prática científica que ele sustenta vincula-se de modo indissociável com as iniciativas de preservação de vestígios de povoamento indígena antigo como patrimônio brasileiro.

Formato: online (disponível em http://migre.me/mHRci)

Investimento: acesso aberto

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Comunicação no XXIV Ciclo de Debates em História Antiga (LHIA-IH/UFRJ): Retórica do martírio, acúmulo de capital simbólico e estratégia de distinção na Carta a Diogneto


No dia 22/10, quarta-feira próxima, vou apresentar a comunicação Retórica do martírio, acúmulo de capital simbólico e estratégia de distinção na Carta a Diogneto na Mesa de Comunicações 18 do XXIV Ciclo de Debates em História Antiga: milênios de interessantíssimas experiências humanas, promovido pelo LHIA/IH-IFCS/UFRJ. A referida mesa, coordenada pelo Prof. Dr. André Leonardo Chevitarese (IH-IFCS/UFRJ), vai se realizar no Salão Nobre do IFCS/UFRJ das 18 às 20h.

Vale a pena chegar mais cedo, às 15h45, e assistir também à Mesa de Comunicações 17, coordenada pelo mesmo Prof. Chevitarese, na qual o Prof. Lair Amaro (Doutorando do PPHC/UFRJ) irá apresentar comunicação de tema afim à minha. A programação completa do evento está disponível em http://migre.me/mmTu9.

Eventuais interessados que estejam disponíveis, apareçam por lá na quarta-feira na parte da tarde e da noite para papearmos um bocado. Será uma alegria grande recebê-los e ouvi-los também.

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Título: Retórica do martírio, acúmulo de capital simbólico e estratégia de distinção na Carta a Diogneto

Resumo: A Carta a Diogneto é um texto ao qual não se fez menção direta em nenhum dos escritos conhecidos que se preservou da Antiguidade e da Idade Média. Ela foi redescoberta em uma biblioteca constantinopolitana no século XV entre as obras de Justino de Roma, e até agora não se encontrou outra versão antiga desse documento. Trata-se de uma apologia do cristianismo dirigida um pagão culto e de alta classe social, cuja identidade ainda não se definiu com precisão – pois Diogneto é antes um título do que um nome próprio. Também não há consenso entre os estudiosos a respeito de sua autoria, local ou data de produção, ainda que esteja bem estabelecido que é um documento autêntico que foi composto em um período de ausência de perseguições anterior ao governo de Diocleciano. A ausência de referências contextuais mais precisas permite que se tome a Carta como uma produção de discurso a descoberto, que pode ser analisada a partir de seus elementos de coerência interna e não em relação a uma empiria à qual supostamente deveria corresponder ponto por ponto. Isto posto, ela presta-se a ser subsídio especialmente interessante para se refletir a respeito de como um cristão cujo nome não se preservou podia representar os temas-chave do movimento cristão em seus primeiros séculos de existência a um não batizado esclarecido e curioso a respeito da nova religião. No presente trabalho se investiga como neste documento se relacionam a temática da não resistência dos cristãos à perseguição, o acúmulo de capital simbólico da parte do movimento dos seguidores de Jesus Cristo e as suas estratégias de distinção e, portanto, de afirmação identitária diante – e contra – as muitas formas tradicionalmente aceitas de se honrar os deuses conhecidas no mundo greco-romano.

Formato: comunicação oral

Quando: 22/10 (quarta-feira), das 18h às 20h

Onde: Salão Nobre do IFCS/UFRJ, Largo de São Francisco de Paula, n° 1, Centro - Rio de Janeiro / RJ

Investimento: atividade gratuita (requer inscrição como ouvinte)


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