domingo, 25 de março de 2018

Artigo publicado na Revista Coletânea: A Mãe de Deus na tradição cristã etíope: uma leitura introdutória da "Anáfora de Santa Maria" de Abba Ciríaco de Behnesa


Foi publicado um artigo de minha autoria na edição do primeiro semestre de 2017 (v. 16, n. 31) da Coletânea, revista acadêmica da Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro. Trata-se de primeiro texto que escrevo usando como matéria-prima um documento litúrgico, a interessantíssima Anáfora de Santa Maria, oração ímpar preservada pela Igreja Ortodoxa Etíope, e procurei compô-lo costurando de modo bastante cuidadoso a reflexão teológica e histórica. Privilegiei a descrição sobre a análise - afinal, trata-se de um paper não mais do que introdutório -, mas o resultado, de um modo geral, deixou-me satisfeito. Espero que o resultado pareça interessante a todos os eventuais leitores.

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Título: A Mãe de Deus na tradição cristã etíope: uma leitura introdutória da Anáfora de Santa Maria de Abba Ciríaco de Behnesa

Resumo: A figura da Virgem Maria possui um local central na teologia, liturgia e devoção dos cristãos afro-orientais, membros de antigas comunidades de origem apostólica, que insistiram sempre mais em seu caráter de Mãe de Deus como forma de enfatizar a união hipostática das Naturezas humana e divina na Pessoa de Jesus Cristo. Essa centralidade se expressa também na arte religiosa e em numerosos textos, entre os quais se incluem canções populares, poemas devotos, homilias comemorativas, tratados teológicos e coletâneas de milagres atribuídos à Virgem. Um dos mais impressionantes destes escritos é a Anáfora de Santa Maria, tradicionalmente atribuída a Abba Ciríaco (ou Heráclito) de Behnesa (el-Bahnasa ou Oxirrinco), utilizada na Divina Liturgia da Igreja Etíope algumas vezes por anos - nas mais importantes festas marianas, na véspera do Natal, na véspera e no dia da Anunciação e na comemoração do mesmo São Ciríaco. Como bem se sabe, a liturgia etíope deriva em larga medida da liturgia copta, em função da ligação milenar entre as Igrejas de Alexandria e da Abissínia, mas desenvolveu uma série de características originais a partir da absorção de elementos autóctones, do peso de sua herança semítica e de significativas influências siríacas. A Anáfora de Santa Maria de Abba Ciríaco de Behnesa é justamente uma das peças originais da Etiópia cristã, pois em nenhuma outra das liturgias hoje conhecidas preservou-se uma oração eucarística que faz menção à Virgem de modo tão específico. O objetivo deste artigo é, partindo de uma contextualização histórica, apresentar este texto e identificar como nela aparece figurada a Mãe de Jesus.

Formato: impresso e online (disponível em https://tinyurl.com/y7kuktkp)

Investimento: acesso aberto

sábado, 24 de março de 2018

Artigo publicado na Revista Coletânea: O paquiderme axumita: esboço de um contexto político para a Sura 105 do Corão


O artigo que compartilho hoje foi publicado na edição de julho a dezembro de 2015 (v. 14, n. 28) da Coletânea, revista acadêmica da Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro, mas só há poucos dias dei-me conta de que ele havia sido, afinal, disponibilizado online pelo periódico. Uma primeira versão desse texto foi apresentada no Simpósio Temático Religião, política e narrativas, que tive a alegria de coordenar, realizado no âmbito da 2ª Semana de História da Universidade Veiga de Almeida (Campus Tijuca, Rio de Janeiro/RJ). O paper é uma tentativa sucinta de abordar uma ou outra questão com a qual me deparei na pesquisa do doutorado, mas que, infelizmente, não terão lugar no corpo da tese em si. Espero que sua leitura seja tão interessante quanto foi divertido escrevê-lo e apresentá-lo de viva voz.

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Título: O paquiderme axumita: esboço de um contexto político para a Sura 105 do Corão

Resumo: O Corão, texto sagrado do Islã, parece desconfortavelmente hermético para os seus leitores ocidentais, de modo que a interpretação de sua narrativa continua dependente, por um lado, das leituras devotas dos muçulmanos ou, por outro, das abordagens demasiado interessadas dos orientalistas. Passando por alto as considerações de ordem teológica a respeito de sua formação e difusão, não se pode deixar de considerar que se trata da mais relevante das fontes documentais para se compreender o surgimento e o período formativo da terceira das religiões abraâmicas. Uma abordagem histórico-crítica adequadamente respeitosa de suas partes, portanto, faz-se necessária àqueles interessados no período e espaço sociocultural do qual ele dá notícias. O que se pretende fazer no presente trabalho é justamente uma incursão experimental neste sentido, focada na Sura 105, conhecida como sendo d’O elefante. Não se quer interpretar o texto por meio do texto, em perspectiva meramente exegética, em última análise estéril aos historiadores e críticos culturais, mas, partindo de alguns elementos localizáveis, direta ou indiretamente, neste fragmento, fazer referência ao intrincado contexto geopolítico da Península Arábica de fim do século VI/início do século VII d.C., horizonte de referência necessário para se entender o conteúdo específico da pregação de Muḥammad e o desenvolvimento inicial do Islã.

Formato: impresso e online (disponível em https://tinyurl.com/yd5q2klx)

Investimento: acesso aberto

sexta-feira, 23 de março de 2018

Minicurso no Centro Dom Vital: Cristãos e muçulmanos nos primórdios do Egito islâmico


Nos dias 12, 19 e 26 de abril próximo, quintas-feiras, das 18h30 às 20h30, irei oferecer no Centro Dom Vital (CDV) o curso Cristãos e muçulmanos nos primórdios do Egito islâmico. Esse é um curso experimental, no qual vou discutir basicamente o trabalho de pesquisa que venho realizando como doutorando em história política desde 2015, focado como estou nas relações entre os diferentes grupos de seguidores de Jesus e de seguidores de Muḥammad em Alexandria e no Vale do Nilo entre os séculos VII e XI da dita Era Comum.

As aulas serão abertas a todos os interessados, mas decerto poderão fazer mais proveito delas os estudantes de História, Teologia e Ciências da Religião, além dos professores de áreas conexas e Ensino Médio. Espero que, mais do que mero exercício de antiquarismo, o curso permita colocar um pouco em perspectiva histórica os recentes atritos político-religiosos egípcios, que vez ou outra dramaticamente tomam as telas de TV e as páginas dos jornais e sites. As inscrições vão até a véspera da primeira aula, mas é imprescindível que haja um número suficiente de interessados e pré-inscritos para que o curso seja confirmado. Todo o contato a isso referente deve ser feito pelo e-mail comunicacao@centrodomvital.com.br e deve haver um mínimo de dez alunos para a formação da turma. O investimento é de R$ 100, havendo desconto de 50% para sócios do CDV e estudantes e gratuidade para seminaristas.

Peço que os eventuais interessados façam o quanto antes suas pré-inscrições, de modo que possamos garantir a realização do curso. Solicito também a todos os amigos, colegas e conhecidos que ajudem a divulgar esse convite em suas redes de contatos, visando alcançar especialmente os potenciais interessados no tema. Desde agora, imensa gratidão pela ajuda nisto!

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Título: Cristãos e muçulmanos nos primórdios do Egito islâmico

Formato: minicurso (3 aulas, totalizando 6 horas/aula)

Proposta: A expansão árabo-muçulmana inicial deu-se sobre uma paisagem essencial cristã; durante um largo período, aliás, o movimento dos seguidores de Muḥammad esteve presente naquilo que hoje naturalizamos como parte integrante do mundo islâmico quase que só como uma religião de estrangeiros, conquistadores e governantes. Em larga medida, o Califado se construiu sobre as ruínas de populações, instituições e polêmicas cristãs, fato amplamente esquecido tanto pelo senso comum quanto pela corrente majoritária da pesquisa acadêmica cá entre nós. A ascensão e estabilização deste corpo político-religioso, de fato, não podem ser compreendidas de forma teleológica, mas dentro de uma complexa rede de interações com os grupos não-muçulmanos que foram politicamente dominados e, passo a passo, culturalmente submetidos. Longe de ter uma importância apenas para os especialistas, esse processo coloca em questão um assunto que interessa a todos nós: a convivência e o choque de culturas em um momento de profunda crise política. Assim sendo, propõe-se abordá-lo a partir de um estudo de caso, focado em uma região representativa: o Egito desde a conquista islâmica até o fim da dinastia omíada (639-750 AD/17-128 AH).

Programa:

1. O Egito nos séculos VI e VII e a expansão islâmica
2. A Igreja Copta Ortodoxa no primeiro século de domínio islâmico sobre o Egito
3. A Igreja Greco-Melquita Ortodoxa no primeiro século de domínio islâmico sobre o Egito

Quando: dias 12, 19 e 26 de abril (quintas-feiras), das 18h30 às 20h30

Onde: Centro Dom Vital, Rua Araújo Porto Alegre, n. 70, sala 111 (próximo à Estação Cinelândia do Metrô) → Mapinha em https://tinyurl.com/yddgsktw

Investimento: R$ 100 (sócios do CDV e estudantes têm 50% de desconto e seminaristas têm gratuidade)