domingo, 14 de dezembro de 2014

Curso de férias no Centro Loyola de Fé e Cultura: A Igreja e o Império no tempo de Constantino: antecedentes e consequências do surgimento de um mundo novo (303-330)

O imperador Constantino e Helena, sua mãe, ladeiam uma cruz-relicário. Bogdan / Ivan Ievlevich Saltanov, A veneração da cruz verdadeira (detalhe), Moscou, Rússia, década de 1680. (Extraída de http://migre.me/nv4gP. Imagem editada).

Nos dias 12 a 15 de janeiro próximo, oferecerei no Centro Loyola de Fé e Cultura um curso de férias sobre as relações entre Igreja e Império no tempo de Constantino. Para além de revisitar esta história, menos conhecida do que se acredita, considerarei alguns dos antecedentes e consequências da aproximação desse imperador romano com certa facção do movimento cristão, assim como algumas das avaliações feitas sobre este processo, consolidadas na historiografia e no imaginário religioso.

Este vai ser um dos primeiros cursos de férias realizados no núcleo restaurado do Centro Loyola, e o estou preparando com muito afeto e cuidado. Considerando a experiência de ocasiões anteriores nas quais tratei de temas afins a este, assim como a bela infra-estrutura que terei à disposição, tenho certeza de que essa será uma ótima oportunidade para desenvolver alguns movimentos de raciocínio e trocar ideias com um grupo de pessoas interessadas e bem articuladas.

Caso se interesse pelo tema, inscreva-se e sê bem-vindo para estar conosco nestas noites de janeiro que passaremos na Gávea. Peço que faça isso o quanto antes, não apenas pela necessidade de se formar um quórum que possibilite a realização do curso, mas também pelas vagas limitadas que estão disponíveis. Se não pode fazer o curso, mas conhece alguém que talvez se interesse pelo tema, por favor, colabore em sua divulgação.

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Título: A Igreja e o Império no tempo de Constantino: antecedentes e consequências do surgimento de um mundo novo (303-330)

Formato: curso de férias (4 aulas, totalizando 8 horas/aula)

Ementa: Entre os anos de 303 a 330 o movimento cristão passou por uma de suas mais surpreendentes mudanças históricas: em pouco menos de três décadas, foi da perseguição à proteção do imperador romano. Uma tolerância que logo deu lugar a um favorecimento cada vez mais ostensivo do cristianismo pelo Império e modificou ambas as partes envolvidas, engendrando uma justaposição cujas ressonâncias fazem-se sentir até a contemporaneidade. O objetivo deste curso é refletir sobre este movimento social que alterou de modo profundo as relações entre Estado, religião e cultura no mundo mediterrânico e nas áreas circunvizinhas, dando especial atenção à figura do Imperador Constantino (272-337), o seu principal protagonista.

Programa:

1. Igreja e Império da perseguição de Diocleciano à ascensão de Constantino
2. Causas, efeitos e avaliações da conversão de Constantino
3. As crises donatista e ariana e as formas de interação entre Igreja e Império no paradigma constantiniano
4. Herança material e imaterial da virada constantiniana

Quando: de 12/01 (segunda-feira) a 15/01 (quinta-feira), das 19 às 21h 

Onde: Centro Loyola de Fé e Cultura, Estrada da Gávea, n. 1, Gávea - Rio de Janeiro / RJ (mapinha: http://migre.me/nv28Y)

Investimento: R$ 140,00 (para se inscrever é necessário mandar um e-mail para cloyola@puc-rio.br, informando nome, RG, telefone e o curso do qual deseja participar, e solicitando o boleto bancário para pagamento da taxa. Mais informações podem ser obtidas entrando em contato no tel. [21] 3527-2012 ou por mensagem inbox para o  https://www.facebook.com/centroloyolapucrio)


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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Entrevista ao site da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição: A caixa aberta: aproximação ao Concílio Vaticano II

Missa pontifical em rito bizantino, presidida pelo bispo Nicolau de Pitsburgo, assistida pelo Papa Paulo VI e pelos prelados reunidos por ocasião do Concílio Vaticano II. Basílica de São Pedro, Vaticano, em 6 de dezembro de 1965, festa de São Nicolau de Mirra. (Extraída de http://migre.me/nqbso. Há um trecho do áudio da celebração disponível em http://migre.me/nqbvk).

No fim de julho de 2012, o Vicariato Episcopal Oeste da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro promoveu na Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Realengo o seu II Seminário de Liturgia, cujo mote foi "Celebrando o Concílio Vaticano II". O objetivo do evento era promover uma reflexão sobre o desenvolvimento histórico e pastoral da liturgia e da espiritualidade católica desde o Concílio de Trento (1545-1563) até o Concílio Vaticano I (1869-1870), a ser completada, em eventos pouco posteriores, por tratamento análogo do período que foi do Vaticano I ao Vaticano II (1962-1965) e da realização desta última assembleia conciliar. Entretanto, dessa planejada tríade de eventos, a ser realizada no segundo semestre de 2012 e no primeiro de 2013, em comemoração ao cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II (11 de outubro de 1962 / 11 de outubro de 2012), só o primeiro acabou ocorrendo. Apesar de ter sido um sucesso, contando com grande participação de agentes de pastoral e outros interessados, ele não frutificou por uma série de problemas burocráticos e pessoais experimentados naquele período pelos idealizadores deste programa de estudos.

Neste II Seminário de Liturgia, ofereci a palestra "Panorama histórico do Concílio de Trento", que, boa surpresa, gerou maiores repercussões na audiência reunida do que eu esperava. Em preparação a este evento, concedi ao site da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição uma (curta) entrevista que intitulamos "A caixa aberta: aproximação ao Concílio Vaticano II".

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Título: A caixa aberta: aproximação ao Concílio Vaticano II

Formato: online (disponível em http://migre.me/nqbkh)

Investimento: acesso aberto

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Comunicação no Scientiarum Historia VI (HCTE/UFRJ): O Myriobiblon: as miríades de saberes na Bibliotheca de Fócio de Constantinopla - iniciando um mapeamento da medicina bizantina no século IX


No Scientiarum Historia VI, congresso promovido pelo Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no qual apresentei a comunicação "Ecologia e história em dois textos de Luiz de Castro Faria (1942-1944)", subproduto do projeto de pesquisa ao qual estava então institucionalmente vinculado, também tive a feliz oportunidade de dar a público um trabalho preparado em parceria com a queridíssima amiga Alessandra Serra Viegas, que é estudiosa de literatura, professora de grego, historiadora, teóloga e poetisa.

O texto produzido a quatro mãos, de título "O Myriobiblon: as miríades de saberes na Bibliotheca de Fócio de Constantinopla. Iniciando um mapeamento da medicina bizantina no século IX" foi uma primeira tentativa de minha parte de abordar por escrito e a sério a vida intelectual bizantina, que tanta atração contínua tem exercido sobre mim. Decidimo-nos por trabalhar com um dos textos fundadores da erudição do Império Romano do Oriente, o Myriobiblon (em latim, Bibliotheca), composto por Fócio de Constantinopla, importante personagem da história política, religiosa e intelectual do mundo mediterrânico da Alta Idade Média. Neste âmbito, e também para nos mantermos dentro da proposta do evento onde nos inscrevemos, interessou-nos particularmente a forma como está figurada no Myriobiblon o conhecimento referente às artes médicas.

Por motivos diversos, Alessandra e eu ainda não conseguimos voltar até agora à pesquisa então iniciada. O desejo de fazê-lo, entretanto, ainda não cessou - e continuo a sonhar com o dia em que possa ler em língua portuguesa esta borgeana reunião de saberes.

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Título: O Myriobiblon: as miríades de saberes na Bibliotheca de Fócio de Constantinopla. Iniciando um mapeamento da medicina bizantina no século IX

Resumo: Fócio de Constantinopla (c. 820-891) foi membro da burocracia bizantina, diplomata e eclesiástico. Nos idos de 840-850, compôs a obra a que chamou Myriobiblon, ou Bibliotheca, na qual comentou duzentos e oitenta livros – alguns somente por meio dele nos são conhecidos. Seu principal interesse é a teologia e a história eclesiástica, porém se dedica também a vários outros assuntos. Como pouco se sabe sobre a formação específica de Fócio, sua Bibliotheca converte-se em uma súmula de quais volumes um erudito podia ou se interessava em ler na Constantinopla do século IX. Nesta primeira pesquisa, mapearemos sucintamente os códices da Bibliotheca que se detêm em obras médicas, visando a descobrir a que autores e escritos Fócio tinha acesso ou interesse para abordar os temas da saúde e da doença.

Formato: online (disponível em http://migre.me/n8WSg)

Investimento: acesso aberto

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Oficina no Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos: Axum cristão: introdução à história da Igreja Etíope

Clérigos e fiéis laicos em celebração pascal na seção etíope da Igreja do Santo Sepulcro, Jerusalém, Israel, 23 de abril de 2011.
(Extraído de http://migre.me/n1pec; terceira foto da primeira coluna à esquerda)

No dia 25/11, terça-feira próxima, às 14h, irei oferecer no Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN) uma oficina de introdução à história da Igreja Etíope, uma das mais interessantes expressões do movimento cristão nestes seus quase dois milênios de existência.

O IPN fica na Gamboa, em local de acesso muito fácil, a um pulinho do Centro da cidade. Trata-se de uma atividade gratuita, mas que tem a necessidade de inscrição prévia em função do espaço disponível no local. Sê você se interessa pelo tema, inscreva-se e sê bem-vindo para conversar a respeito nesta tarde de terça-feira. Se conhece alguém que talvez se interesse por ele, por favor, colabore na divulgação do evento.

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Título: Axum cristão: introdução à história da Igreja Etíope

Formato: oficina (aula aberta)

Quando: 25/11 (terça-feira), das 14 às 17h30

Onde: Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, Rua Pedro Ernesto, n. 36, Gamboa (mapinha: http://migre.me/mNoIA)

Investimento: atividade gratuita (necessidade de inscrição prévia por e-mail - karla@pretosnovos.com.br)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Comunicação no XVI Encontro Regional de História (ANPUH-Rio): A viagem de Luiz de Castro Faria ao Vale do Paraíba Fluminense (1939): uma pequena pesquisa etnográfica no Brasil no fim da década de 1930

Gino Severini, Trem da Cruz Vermelha atravessando um vilarejo, verão de 1915. (Extraída de http://migre.me/mXgRT)

No dia 1º de agosto de 2014 eu apresentei no XVI Encontro Regional de História, promovido pela Seção Regional do Rio de Janeiro da Associação Brasileira de História (ANPUH-Rio), meu último trabalho resultante do período que passei trabalhando com o Acervo Castro Faria como bolsista no Museu de Astronomia e Ciências Afins. Tive a felicidade de redigir esta comunicação em conjunto com a colega Lucimeire de Silva Oliveira, que permaneceu trabalhando na mesma casa com aquela rica coleção de documentos. Apesar da grande brevidade exigida pelas normas do evento e pela curta duração programada para a apresentação, considerei bastante interessante o resultado, escrito e falado, deste empreendimento comum.

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Título: A viagem de Luiz de Castro Faria ao Vale do Paraíba Fluminense (1939): uma pequena pesquisa etnográfica no Brasil no fim da década de 1930

Resumo: A presente comunicação busca analisar uma das facetas da carreira de um dos fundadores da antropologia no Brasil: Luiz de Castro Faria. Formado na tradição da antropologia produzida no Museu Nacional, Castro Faria fez pesquisa nos campos, então intimamente ligados, da arqueologia, da antropologia biológica e da etnografia. Este antropólogo fez durante toda sua carreira pesquisas de campo, viajando por quase todo país, analisando principalmente sua cultura social e econômica, observando as diferentes geografias. Na semana de 28 de novembro a 3 de dezembro de 1939, Luiz de Castro Faria fez uma viagem por algumas cidades do Vale do Paraíba Fluminense, fazendo observações preliminares e recolhendo material para um possível projeto de pesquisa. Na ocasião, Castro Faria trabalhava como praticante gratuito da Seção de Antropologia e Etnografia do Museu Nacional, onde havia sido admitido em 1936, local em que trabalhou inicialmente sob a orientação de Heloísa Alberto Torres. De meados de abril ao fim de dezembro de 1938, ele participou como representante do Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas do Brasil da Expedição à Serra do Norte, liderada por Claude Lévi-Strauss. Tratou-se, literalmente, de um batismo em sua trajetória científica; inclusive porque a partir da participação nesta última grande viagem etnográfica do século XX, Castro Faria – que só se tornaria naturalista interino do Museu Nacional em 1942 – pôde realizar suas próprias pesquisas de campo. As duas dezenas e meia de páginas que compõem o diário da citada viagem de Castro Faria pelo Vale do Paraíba Fluminense em 1939 são um bom registro acerca das questões em pauta e das condições da produção etnográfica de um jovem pesquisador ligado à Seção de Antropologia e Etnografia do Museu Nacional em fins da década de 1930. Apesar do projeto de pesquisa, então esboçado, não ter resultado em uma monografia, ele se coloca como uma série desigual de observações que permite o nosso acesso ao diálogo íntimo então travado pelo etnógrafo no contato da realidade observada, anotada e fotografada no Vale do Paraíba com suas questões e inquietações anteriores à partida para campo. O presente trabalho propõe, portanto, uma leitura deste caderno de viagem como fonte documental para a história da antropologia no Brasil. Como metodologia de campo, Castro Faria fez uso da chamada antropologia ecológica, mostrando assim a importância do estudo “das relações das diversas comunidades entre si e com o meio onde viviam.” Dessa maneira, a presente comunicação busca fazer uma análise dos diários de viagem de Castro Faria, detendo-se neste olhar, no qual se evidencia o interesse deste autor pelo estudo das relações entre os agrupamentos humanos e o meio naturais nos quais estão inseridos.

Formato: online (disponível em http://migre.me/mXhx0)

Investimento: acesso aberto

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Comunicação no Scientiarum Historia VI (HCTE/UFRJ): Ecologia e história em dois textos de Luiz de Castro Faria (1942-1944)

Currutela de um garimpo no Rio Coxipó-açu, nas proximidades de Cuiabá / MT. "A currutela é o povoado que surge de um dia para o outro, como por encanto, ao lado dos monchões. Tem o caráter das cousas provisórias, mal definidas, pois o seu próprio destino é incerto. Pode transformar-se em cidade ou converter-se em tapera". Luiz de Castro Faria, "Garimpos". Revista do Museu Nacional, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, 1944, p. 5. (Extraído de http://migre.me/mWjbj). 

Entre setembro e outubro de 2013, reuni algumas anotações e escrevi a comunicação "Ecologia e história em dois textos de Luiz de Castro Faria (1942-1944)" para ser apresentada no Scientiarum Historia VI, congresso promovido pelo Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Esse escrito foi uma tentativa de dar um outro rumo para meu trabalho no Acervo Castro Faria, abrangendo uma questão distinta daquela da pesquisa deste antropólogo com os sítios arqueológicos conhecidos como sambaquis. Foi composto um tanto apressadamente, e entre sua redação e apresentação lançaram-se sobre mim uma série quase infindável de problemas; mesmo assim o compartilho, mais para fins de curiosidade e registro.

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Título: Ecologia e história em dois textos de Luiz de Castro Faria (1942-1944)

Resumo: Luiz de Castro Faria integrou-se como estagiário na Seção Antropologia e Etnografia do Museu Nacional (MN) em 1936. Em 1938 participou da Expedição à Serra do Norte, e em 1942 foi contratado como naturalista do MN. Nos anos 1940, encontrava-se vinculado ao referencial de pesquisa antropológica da ecologia humana, ou seja, a um paradigma científico que não comportava uma dissociação absoluta entre ciências biológicas e sociais. Analisa-se aqui como foram abordadas por este autor o processo histórico e o relacionamento dos grupos humanos com o meio natural nos textos Notas sobre Santa Catarina, de 1942, e Garimpos, de 1944. Com isto, objetiva-se compreender melhor que tipo de conhecimento que podia produzir um cientista vinculado à tradição de pesquisa do MN no período considerado.

Formato: online (disponível em http://migre.me/mWjCL)

Investimento: acesso aberto

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Comunicação no Centenário de Luiz de Castro Faria: Uma antropologia universal para pensar o local: o Acervo Castro Faria

Caixas de documentos na biblioteca pessoal de Luiz de Castro Faria (extraída de http://migre.me/mNsvD, segunda foto)

Em 5 de julho de 2013, o Museu de Astronomia e Ciências Afins realizou evento comemorativo do centenário do nascimento do antropólogo Luiz de Castro Faria (1913-2013), sob o tema Antropologia universal e cultural local (cf. imagem abaixo). No âmbito das atividades deste, na mesa-redonda Ciência universal e cultura local: Casto Faria, memória e divulgação científica, apresentei a comunicação "Uma antropologia universal para pensar o local: o Acervo Castro Faria".

O tema e título desta fala me foram propostas pela Prof.a Dr.a Heloisa Maria Bertol Domingues, uma das curadoras do Acervo Castro Faria e então minha orientadora no trabalho nele. Ela ensejou a oportunidade de apresentar algumas de minhas ideias, nutridas desde 2007, diretamente aos mais legítimos herdeiros intelectuais desse ilustre pai da antropologia fluminense. Tal texto gerou-me meia dúzia de narizes torcidos e um par de críticas realmente severas por ocasião de sua apresentação pública, e talvez tenha sido aquilo que escrevi que até agora mais consequências imediatas teve sobre minha trajetória acadêmica e profissional. Certo é, entretanto, que não só continuo a subscrever inteiramente as ideias nele apresentadas, como o aprecio de forma particular; aí tive a oportunidade de balbuciar algumas questões que não encontraram outra forma de expressão em nenhum momento de meu contato acadêmico com o Acervo Castro Faria.

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Título: Uma antropologia universal para pensar o local: o Acervo Castro Faria

Resumo: Nesta comunicação se tece uma reflexão a respeito da prática de pesquisa antropológica de Luiz de Castro Faria. Usa-se como principal fonte para a discussão os processos de organização e doação de seu acervo pessoal ao Arquivo de História da Ciência do Museu de Astronomia e Ciências Afins (AHC-MAST/MCT), que até o recebimento deste conjunto de documentos custodiava os acervos apenas de cientistas ligados às ciências exatas e da natureza. Busca-se evidenciar como no arranjo e nesta destinação dos registros de seu trabalho, assim como em algumas de suas formulações a respeito do que deveria ser a pesquisa antropológica, articula-se a observação do local com a formulação de um conhecimento científico de validade universal.

Formato: online (disponível em http://migre.me/mNsLh)

Investimento: acesso aberto


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Comunicação no Scientiarum Historia IV (HCTE/UFRJ): O estudo e conservação dos sambaquis em uma correspondência entre Pe. João Alfredo Rohr, S.J., e Luiz de Castro Faria (Florianópolis - Rio de Janeiro, agosto de 1960)

Forno onde eram transformadas em cal as conchas extraídas do Sambaqui de Cabeçuda, Laguna / SC, cuja atividade foi documentada por Luiz de Castro Faria no ano de 1947. (Extraído de: LIMA, Tania Andrade. Luiz de Castro Faria, também um arqueólogo. In: Memórias da C&T - Série Produção Científica Brasileira. Disponível em http://migre.me/mMpsc. Foto n. 8)

Na mesma semana em que apresentei a comunicação "O problema dos sambaquis segundo Luiz de Castro Faria: notas de leitura" na I Jornada em História das Ciências e da Saúde (PPGHCS-COC/FIOCRUZ), apresentei também um pequeno texto de nome "O estudo e conservação dos sambaquis em uma correspondência entre Pe. João Alfredo Rohr, S.J., e Luiz de Castro Faria (Florianópolis-Rio de Janeiro, agosto de 1960)" no Scientiarum Historia IV, congresso promovido pelo Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Nesta ocasião tive a oportunidade de discutir a abordagem específica que viria a ser a de minha dissertação de mestrado com um público de estudiosos bastante eclético, saindo da mesa de que participei com a clara noção de que o campo da história social das ciências ainda está em aberto e necessita ser justificado diante de outras abordagens concorrentes e nem sempre convergentes do fenômeno da produção e gestão de saberes.

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Título: O estudo e conservação dos sambaquis em uma correspondência entre Pe. João Alfredo Rohr, S.J., e Luiz de Castro Faria (Florianópolis - Rio de Janeiro, agosto de 1960)

Resumo: Em agosto de 1960, João Alfredo Rohr escreveu a Luiz de Castro Faria manifestando admiração por seu texto O problema da proteção aos sambaquis, publicado pouco antes, mas inicialmente apresentado em 1952 como relatório ao Conselho Nacional de Pesquisas. Nesta mesma carta, Rohr também faz questão de afirmar que ele já fazia pesquisas com aquele tipo de jazida arqueológica como as que O problema da proteção aos sambaquis propunha que deveriam ser realizadas. Luiz de Castro Faria, antropólogo, ligado ao Museu Nacional desde 1936 e praticante da pesquisa arqueológica como um método de investigação antropológica, vinha estudando os sambaquis fazia ao menos duas décadas e se destacando na militância por sua preservação e sistemática investigação; também havia feito escavações nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. João Alfredo Rohr, padre jesuíta, então diretor do Colégio Catarinense, professor e responsável pelo Museu de História Natural desta instituição, estava interessado em tais vestígios pré-históricos desde antes de sua chegada a Florianópolis, em 1941. Ao lidar com este tema, ambos tratavam de questões referentes às relações entre o povoamento indígena antigo do território do Brasil meridional e o estudo etnográfico das populações contemporâneas que aí subsistem, e à conservação destes sítios diante da exploração da antiga indústria do chamado "cal de mariscos". O presente trabalho objetiva traçar uma genealogia da admiração e sinalização de convergência de propósitos manifestas na citada correspondência enviada por Rohr a Castro Faria, que viria a ser fundamento de uma futura colaboração profissional. Para fazer isto, faremos menção a como o padre jesuíta começou a desenvolver suas pesquisas arqueológicas de forma relativamente independente, e tomaremos como base a leitura de O problema da proteção aos sambaquis como texto que respondeu e incrementou algumas questões tratadas como pertinentes por Rohr em sua Contribuição para a etnologia indígena do Estado de Santa Catarina, publicada dez anos antes.

Formato: online (disponível em http://migre.me/mMpfV)

Investimento: acesso aberto

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Comunicação na 1ª Jornada em História das Ciências e da Saúde (PPGHCS-COC/FIOCRUZ): O problema dos sambaquis segundo Luiz de Castro Faria: notas de leitura

(Extraída de: CASTRO FARIA, Luiz de. O problema da proteção aos sambaquis. [1959]. In: Antropologia: escritos exumados 2. dimensões do conhecimento antropológico. Apresentação de Antônio Carlos de Souza Lima. Niterói: Ed. UFF, 1999. Coleção “Antropologia e Ciência Política”, v. 19. p. 257).

Em 19 de outubro de 2011, apresentei a comunicação "O problema dos sambaquis segundo Luiz de Castro Faria: notas de leitura" na I Jornada em História das Ciências e da Saúde. Tratou-se de evento organizado pelos alunos da Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (PPGHCS-COC/FIOCRUZ) e realizado nas instalações do mesmo programa. Este foi o primeiro texto que publiquei no âmbito da pesquisa com a documentação do Acervo Castro Faria realizada simultaneamente no Museu de Astronomia e Ciências Afins e no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

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Título: O problema dos sambaquis segundo Luiz de Castro Faria: notas de leitura

Resumo: Neste trabalho analisa-se como o problema dos sambaquis aparece em dois dos artigos que o antropólogo Luiz de Castro Faria escreveu a este respeito: O problema dos sambaquis do Brasil: escavações recentes no sítio de Cabeçuda (Laguna, Santa Catarina), de 1952, e O problema da proteção aos sambaquis, de 1959. Busca-se com isto verificar como a pesquisa antropológica que este autor realizava e propunha dialogava e distanciava-se dos estudos anteriores realizados neste tipo de sítio arqueológico; assim como, no argumento de Castro Faria, o tipo de prática científica que ele sustenta vincula-se de modo indissociável com as iniciativas de preservação de vestígios de povoamento indígena antigo como patrimônio brasileiro.

Formato: online (disponível em http://migre.me/mHRci)

Investimento: acesso aberto

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Artigo publicado na Revista Mosaico: O cotidiano e a prática arqueológica do Pe. João Alfredo Rohr em um conjunto de cartas com o antropólogo Luiz de Castro Faria

Fotografia da matéria "Padre denuncia a extinção de sambaquis catarinenses", publicada no Jornal do Brasil de 30 de novembro de 1971. (Extraída de: CRUZ, Alfredo B. da C. Concha sobre concha: o estudo e a conservação dos sambaquis na correspondência entre Luiz de Castro Faria e Pe. João Alfredo Rohr (1960-1971). Dissertação de Mestrado em História. PPGH, CCHS/UNIRIO. Rio de Janeiro, 2013. p. 257)

Em maio de 2012, participei do Grupo de Trabalho Religião e Modernidade: interfaces no XIII Simpósio Nacional da Associação Brasileira de História das Religiões, realizado na Universidade Federal do Maranhão, em São Luís / MA. No correr daquele ano, a convite da coordenação desse GT, trabalhei no texto apresentado para transformá-lo em algo mais do que uma fala de quinze minutos. Tornado artigo, ele acabou sendo publicado no número de dezembro de 2012 da Mosaico, revista do Mestrado em História da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, no âmbito do dossiê Modernização e Religiosidade.

Relendo esse paper quase dois anos depois de sua publicação, vejo o quanto ele ficou truncado em alguns pontos, mas também o quanto nele eu consegui trabalhar uma questão que havia motivado a minha pesquisa de mestrado, mas que, afinal, acabou não encontrando espaço de plena expressão na dissertação que dela resultou. Creio que o saldo geral é positivo, e gostaria de talvez retomar a problemática sobre a qual ele se detém em futuro não muito distante.

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Título: O cotidiano e a prática arqueológica do Pe. João Alfredo Rohr em um conjunto de cartas com o antropólogo Luiz de Castro Faria

Resumo: O artigo trata do cotidiano e da pesquisa científica e militância pela preservação do patrimônio arqueológico do Pe. João Alfredo Rohr, S. J., a partir das cartas por ele trocadas com o antropólogo Luiz de Castro Faria, detendo-se em especial naquelas referentes ao episódio da nomeação de Pe. Rohr como presidente do Conselho de Cultura de Santa Catarina, em 1971. 

Formato: online (disponível em http://migre.me/mGvrA)

Investimento: acesso aberto

domingo, 2 de novembro de 2014

Dissertação de Mestrado: Concha sobre concha: o estudo e a conservação dos sambaquis na correspondência entre Luiz de Castro Faria e Pe. João Alfredo Rohr (1960-1971)

Pe. João Alfredo Rohr, S.J., e Luiz de Castro Faria diante de corte em sambaqui, Laguna / SC, 1964. Acervo Castro Faria, documento CFDN 19.01.006F014. Arquivo de História da Ciência, Museu de Astronomia e Ciências Afins, Rio de Janeiro / RJ. (Extraída de: CRUZ, Alfredo B. da C. Concha sobre concha: o estudo e a conservação dos sambaquis na correspondência entre Luiz de Castro Faria e Pe. João Alfredo Rohr (1960-1971). Dissertação de Mestrado em História. PPGH, CCHS/UNIRIO. Rio de Janeiro, 2013. p. 237)

De agosto de 2007 a abril de 2014 eu trabalhei, em diferentes funções, com diferentes categorias de documentos, na organização e pesquisa no Acervo Castro Faria, custodiado pelo Arquivo de História da Ciência do Museu de Astronomia e Ciências Afins (AHC-MAST/MCTI) e gerido por seu Conselho Curador. Desse percurso relativamente longo, cheio de altos e baixos, derivou a pesquisa que rendeu minha dissertação de mestrado, defendida no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (PPGH/UNIRO) em julho de 2013, assim como uma série de textos associados, alguns já publicados, outros ainda inéditos, que pretendo ir compartilhando neste espaço aqui.

Por agora, deixo o link de acesso da minha dissertação, produzida sob a orientação da Prof.a Dr.a Heloisa Maria Bertol Domingues (MAST/MCTI e UNIRIO), esperando que interesse a algum dos eventuais visitantes da página.

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Título: Concha sobre concha: o estudo e a conservação dos sambaquis na correspondência entre Luiz de Castro Faria e Pe. João Alfredo Rohr (1960-1971)

Resumo: Este trabalho reconstitui e interpreta o relacionamento entre o antropólogo Luiz de Castro Faria e o arqueólogo Pe. João Alfredo Rohr, S.J., conforme este é testemunhado pela documentação epistolar, administrativa e fotográfica constante no Acervo Castro Faria, custodiado pelo Arquivo de História da Ciência do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Rio de Janeiro). Tal relação se constituiu em torno das questões interligadas do estudo e da conservação dos sítios arqueológicos pré-colombianos conhecidos como sambaquis, e, de forma mais específica, daqueles localizados no litoral do Estado de Santa Catarina. A produção e uso imediato da documentação referida estendeu-se de 1960 a 1971, e, para fazê-la mais rentável como fonte para a história da ciência, incluiu-se junto de sua análise a consideração de outros documentos que dizem respeito a como Castro Faria avaliava a obra de Pe. Rohr, e de como ambos se situavam na estrutura objetiva do campo científico da arqueologia brasileira e em relação aos debates aí surgidos. Para dar conta desta análise de forma satisfatória, reconstituindo a prática científica e a militância em favor da preservação dos sambaquis nas quais se empenharam estes agentes, buscou-se compor uma imagem de suas trajetórias culturais e vínculos sociais diversos, ponderando a respeito de quais afinidades e divergências estes lhe propunham, e de como eles concorreram para dar uma feição especifica à sua interação. 

Formato: impresso e online (disponível em http://migre.me/mCQb9)

Investimento: acesso aberto

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Palestra na Paulus Livraria: Teologia e política do batismo de Agostinho de Hipona ao Concílio de Calcedônia


No dia 08/11, sábado, das 9h30 às 11h, eu irei oferecer na Paulus Livraria uma palestra sobre as controvérsias teológico-políticas do período que vai do batismo de Agostinho (387) ao Concílio de Calcedônia (451). Esta atividade é parte do Café e Debate, um projeto cultural que proporciona oportunidades de aperfeiçoamento pessoal e profissional, promovido pela Paulus Editora em parceria com a Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro.

Para participar da palestra, é necessário inscrição prévia através de e-mail (riodejaneiro@paulus.com.br) ou telefone (21-2240-1303; falar com Yasmine Vieira). Cobra-se um valor (simbólico) de R$ 10 para alunos da FSB-RJ e de R$ 15 para ouvintes externos. A realização da atividades está condicionada à inscrição do quórum mínimo de dez pessoas.

A Paulus Livraria fica na Rua México, n. 111, no Centro do Rio de Janeiro. Se você se interessa pelo tema, inscreva-se e sê bem-vindo para conversar a respeito nessa manhã de sábado. Se conhece alguém que talvez se interesse por ele, por favor, colabore na divulgação do evento.

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Título: Teologia e política do batismo de Agostinho de Hipona ao Concílio de Calcedônia

Formato: palestra

Quando: 08/11 (sábado), das 9h30 às 11h

Onde: Auditório da Paulus Livraria, Rua México, n. 111 (próximo à Av. Nilo Peçanha), Centro - Rio de Janeiro - RJ

Investimento: R$ 10 para alunos da FSB-RJ / R$ 15 para demais participantes (necessidade de inscrição prévia por e-mail - riodejaneiro@paulus.com.br - ou por telefone - 21-2240-1303)

Para melhor visualização, faça download da imagem

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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Artigo publicado na Revista Coletânea: As várias fibras da túnica inconsútil: a história do cristianismo como mosaico e como rede

Com o auxílio de um estoque de linhas de mais de 6.000 cores, uma freira repara uma tapeçaria baseada em
desenho de Rafael, no qual Pedro recebe de Cristo as chaves da Igreja. National Geographic,
Inside the Vatican, 1991. (Extraída de http://migre.me/mv3Gw)

Foi publicado um artigo de minha autoria na edição de janeiro a junho de 2014 da Coletânea, revista acadêmica da Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro. Trata-se de um ensaio no qual tento tornar mais sistemáticas algumas de minhas inquietações a respeito de como se deve (re)escrever a história do cristianismo. Para quem eventualmente se interessar em dar uma olhada no texto, segue o link e outras informações a respeito.

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Título: As várias fibras da túnica inconsútil: a história do cristianismo como mosaico e como rede

Resumo: O presente artigo, de caráter exploratório e experimental, trata da possibilidade e possíveis benefícios de se redimensionar a história do cristianismo apartando-o de uma suposta essência ocidental e ocidentalizante, levando-se em conta sua composição multicultural e, portanto, sua heterogeneidade constitutiva. Para tanto, o trabalho compõe-se de três partes. Na primeira, avalia-se o grave silenciamento a respeito das experiências cristãs na Ásia e na África presente na maior parte das histórias do cristianismo produzidas por ocidentais. Na segunda, indicam-se algumas das motivações que podem conduzir à elaboração de narrativas históricas menos eurocêntricas sobre as trajetórias do movimento dos seguidores de Jesus Cristo. Na terceira, faz-se a recensão do primeiro volume da obra História do Movimento Cristão Mundial, de Dale T. Irvin e Scott W. Sunquist, publicado no Brasil em 2004. Trata-se este de um dos poucos textos historiográficos existentes em língua portuguesa que escapam ao lugar comum eurocêntrico que costuma ser a nota característica da maior parte dos trabalhos sobre história do cristianismo existentes no mercado editorial brasileiro.

Formato: impresso e online (disponível em http://migre.me/mv3Oj)

Investimento: acesso aberto

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Grupo de Trabalho no XIV Simpósio Nacional da ABHR: Cristianismos orientais: religião, cultura e sociedade


Nos dias 14 a 17 de abril de 2015, vai se realizar em Uberaba / MG, na Universidade Federal do Triângulo Mineiro, o XIV Simpósio Nacional da Associação Brasileira de História das Religiões e o III Encontro Internacional de Estudos da Religião promovido pela Seção Brasileira da Associación de Historiadores Latinoamericanos y del Caribe. Nesta ocasião irá se reunir pela primeira vez o Grupo de Trabalho Cristianismos orientais: religião, cultura e sociedade, coordenado por mim e pelos professores João Vicente Publio Dias (Johannes Gutenberg Universitat) e Lucas Paiva (FAECAD).

A proposta do GT baseia-se em artigo publicado em português há mais de quatro décadas (Revista Concilium, n. 57, v. 7, 1970), no qual o historiador italiano Giuseppe Alberigo chamou a atenção para o clamoroso, macroscópico privilégio, suposto em toda a historiografia sobre o cristianismo composta por ocidentais, do Ocidente sobre o Oriente. Essa abordagem, fruto inconsciente ou pouco refletido de antigas hostilidades teológicas, reforça o mito do cristianismo como uma experiência essencialmente vinculada às vicissitudes históricas das sociedades de matriz europeia – ideia que representa uma grave distorção dos padrões de crescimento deste movimento ao longo de sua trajetória histórica, em especial durante o seu primeiro milênio de existência. É de tal atitude que depende a ignorância ainda crassa que os estudos acadêmicos correntes, e toda nossa cultura de um modo geral, demonstram quanto à experiência cristã vivida de acordo com enquadramentos culturais não ocidentais – e, por isso, também quanto às causas remotas que tantos fenômenos e processos do Ocidente têm justamente na história dos cristianismos orientais. Em função das agitações políticas e religiosas da Ásia e da África contemporâneas, assim como de uma diáspora crescente, as vertentes não ocidentais do cristianismo interpelam os estudiosos deste movimento religioso a questionarem os seus pressupostos e redimensionarem seus estudos em uma perspectiva multicultural. Assim sendo, o GT se propõe a ser um espaço para a realização deste exercício, acolhendo estudos sobre a história, a antropologia, o pensamento teológico, as práticas rituais, a arte religiosa, a missionariedade e a atuação social das novas e velhas igrejas cristãs instaladas no mundo não ocidental, com ênfase especial nos estudos sobre o cristianismo bizantino, eslavo, siríaco, armênio, copta e etíope. Acolhe também trabalhos sobre a diáspora destas comunidades, sobre as experiências de contato e de conflito entre estas igrejas e os cristianismos de matriz ocidental, e sobre o diálogo e confronto inter-religioso.

As inscrições de resumos de comunicações no GT devem ser feitas até o dia 17 de novembro. Eventuais interessados, favor entrar em contato pelo bcccruz.alfredo@gmail.com (no campo assunto escrever GT no Simpósio Nacional da ABHR). Mais informações sobre o evento podem ser encontradas em http://migre.me/mpOaW (primeira circular) e em http://migre.me/mpOdB (segunda circular).

Será uma honra e uma alegria grande tê-los conosco neste empreendimento acadêmico!

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Comunicação no XXIV Ciclo de Debates em História Antiga (LHIA-IH/UFRJ): Retórica do martírio, acúmulo de capital simbólico e estratégia de distinção na Carta a Diogneto


No dia 22/10, quarta-feira próxima, vou apresentar a comunicação Retórica do martírio, acúmulo de capital simbólico e estratégia de distinção na Carta a Diogneto na Mesa de Comunicações 18 do XXIV Ciclo de Debates em História Antiga: milênios de interessantíssimas experiências humanas, promovido pelo LHIA/IH-IFCS/UFRJ. A referida mesa, coordenada pelo Prof. Dr. André Leonardo Chevitarese (IH-IFCS/UFRJ), vai se realizar no Salão Nobre do IFCS/UFRJ das 18 às 20h.

Vale a pena chegar mais cedo, às 15h45, e assistir também à Mesa de Comunicações 17, coordenada pelo mesmo Prof. Chevitarese, na qual o Prof. Lair Amaro (Doutorando do PPHC/UFRJ) irá apresentar comunicação de tema afim à minha. A programação completa do evento está disponível em http://migre.me/mmTu9.

Eventuais interessados que estejam disponíveis, apareçam por lá na quarta-feira na parte da tarde e da noite para papearmos um bocado. Será uma alegria grande recebê-los e ouvi-los também.

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Título: Retórica do martírio, acúmulo de capital simbólico e estratégia de distinção na Carta a Diogneto

Resumo: A Carta a Diogneto é um texto ao qual não se fez menção direta em nenhum dos escritos conhecidos que se preservou da Antiguidade e da Idade Média. Ela foi redescoberta em uma biblioteca constantinopolitana no século XV entre as obras de Justino de Roma, e até agora não se encontrou outra versão antiga desse documento. Trata-se de uma apologia do cristianismo dirigida um pagão culto e de alta classe social, cuja identidade ainda não se definiu com precisão – pois Diogneto é antes um título do que um nome próprio. Também não há consenso entre os estudiosos a respeito de sua autoria, local ou data de produção, ainda que esteja bem estabelecido que é um documento autêntico que foi composto em um período de ausência de perseguições anterior ao governo de Diocleciano. A ausência de referências contextuais mais precisas permite que se tome a Carta como uma produção de discurso a descoberto, que pode ser analisada a partir de seus elementos de coerência interna e não em relação a uma empiria à qual supostamente deveria corresponder ponto por ponto. Isto posto, ela presta-se a ser subsídio especialmente interessante para se refletir a respeito de como um cristão cujo nome não se preservou podia representar os temas-chave do movimento cristão em seus primeiros séculos de existência a um não batizado esclarecido e curioso a respeito da nova religião. No presente trabalho se investiga como neste documento se relacionam a temática da não resistência dos cristãos à perseguição, o acúmulo de capital simbólico da parte do movimento dos seguidores de Jesus Cristo e as suas estratégias de distinção e, portanto, de afirmação identitária diante – e contra – as muitas formas tradicionalmente aceitas de se honrar os deuses conhecidas no mundo greco-romano.

Formato: comunicação oral

Quando: 22/10 (quarta-feira), das 18h às 20h

Onde: Salão Nobre do IFCS/UFRJ, Largo de São Francisco de Paula, n° 1, Centro - Rio de Janeiro / RJ

Investimento: atividade gratuita (requer inscrição como ouvinte)


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domingo, 19 de outubro de 2014

Imagem do plano de fundo


O plano de fundo desta página é uma reprodução de The One Spoken to By Angels, fotografia feita na Jama Masjid, Deli, Índia, em 2014 por Karen Knorr (acima, sem efeito de transparência).

De acordo com informações constantes no seu site pessoal, Knorr nasceu em Frankfurt-am-Main, Alemanha, e foi criada em San Juan, Porto Rico. Terminou sua educação em Paris e Londres; e em meados da década de 1970, estudou e trabalhou na Universidade de Westminster, onde fez suas primeiras exibições fotográficas como parte das atividades de cursos sobre "políticas da representação". Atualmente expõe suas obras em diversas galerias de arte europeias e é professora titular de fotografia na Universidade de Artes Criativas em Farnham, Surrey, Inglaterra. (Cf. http://migre.me/oi2gq).

Os temas do trabalho de Knorr são tão diversos como a geografia de sua própria biografia. Ainda que faça vídeos e instalações, é mais conhecida por suas belas fotografias e colagens digitais. Alguns dos assuntos que pretende abordar nestas incluem a estratificação de classe, a distribuição do prestígio e da riqueza, os sistemas de valores, o papel simbólico de representações de animais e as questões referentes ao poder no estabelecimento do patrimônio cultural. Ela prefere olhar e representar simbolicamente antes os privilegiados do que os desfavorecidos; seus sujeitos incluem, por exemplo, os membros da aristocracia inglesa com seus sistemas patriarcais, construções ideológicas e clubes exclusivos. Mais recentemente, Knorr tem produzido uma série de interiores digitalmente modificados, concebidos no Extremo Oriente (Índia e Japão), com base em fábulas, elementos da religiosidade local e a constatação de injustiças sociais. The One Spoken to By Angels é uma destas peças (cf. http://migre.me/oi2tL).

Para quem se interessar em ver um pouco mais do trabalho dessa artista, a página pessoal dela é http://karenknorr.com/ (e seu perfil público no Facebook é o http://migre.me/oi31n).

A Jama Masjid, onde Knorr imaginou que seria belo e adequado colocar os dois pavões como animais-anjos, é a principal mesquita da Índia. Encomendada pelo imperador mughal Shah Jahan, que também fez construir o Taj Mahal, e concluída em 1656, é o maior e mais conhecido local de culto islâmico do país. De sua edificação participaram pelo menos cinco centenas de artesãos, sendo Ostad Khalil o seu principal arquiteto e executor. Seu estilo funde traços estéticos mongóis, persas e hindus. Ela está na origem de uma movimentada rua na área central de Deli, e o fato de ter sido erguida sobre uma pequena colina, de onde é acessada por uma escadaria, permite que sua fachada e suas cúpulas, feitas de mármore branco e negro e decoradas em ouro maciço, sejam vistas desde grandes distâncias. No seu interior, guardam-se algumas relíquias do Profeta Muhammad: um fio de cabelo, uma de suas sandálias e uma peça de argila com uma pegada sua. (Cf. http://migre.me/oi2PX e http://migre.me/oi2Qw).

Foto panorâmica do pátio da Jama Masjid durante as orações de sexta-feira. Deli, Índia, 2011.
(Extraída de http://migre.me/criar-url/)

Abertura

Fundações de uma das entradas para o períbolo do antigo templo de Poseidon em Kalaureia, ilha na costa do Peloponeso. (Extraída de http://migre.me/mm4sk).

A ideia deste blog é compartilhar alguns dos meus textos acadêmicos e anunciar a quem interessar possa os temas, datas, locais e (muito mais raramente) custos de minhas palestras, aulas, minicursos e cursos. Também pretendo compartilhar aqui as fotos de algumas destas experiências de ensino-aprendizado, novas e antigas, assim como os materiais de apoio (textos, slides, vídeos) que usei e que pretendo vir a usar nestes empreendimentos.

O períbolo é área livre entre um edifício e o muro que o circunda (do grego "períbolos", "mármore em volta"). Na antiguidade greco-romana, tratava-se de um espaço arborizado que circundava os templos dos deuses olímpicos, contendo fontes, imagens e estátuas votivas. Assim sendo, era parte do terreno sagrado, também pertecente ao deus do templo, mas de forma menos consistente do que o interior do santuário; de fato, constituia uma zona fronteiriça entre o dentro-sacro e o fora-profano, pela qual transitavam devotos, sacerdotes, filósofos, oradores, comerciantes e todo tipo de gente que estava na cidade por um motivo ou outro. As frutas do pomar do períbolo legalmente pertencia aos administradores do templo, mas era tradição corrente compartilhá-las com os estrangeiros que a ele se achegassem. Costumes antigos garantiam que ninguém poderia ser ferido no interior do períbolo e, no tempo dos imperadores Teodósio e Valentiniano, quando considerável parte dos templos clássicos já havia sido convertida em igrejas cristãs, o períbolo passou a ser considerado o início do território de asílio inviolável a todos os que nele se refugiavam.