sábado, 10 de novembro de 2018

Resenha publicada na Revista Roda da Fortuna: Muito mais do que uma sobrevivente. Resenha de: Samuel Noble e Alexander Treiger, " The Orthodox Church in the Arab World (700-1700 AD): an anthology of sources" (2014)


Foi publicada uma resenha de minha autoria na edição do primeiro semestre de 2018 (v. 7, n. 1) da Roda da Fortuna, revista online de estudos sobre a Antiguidade e o Medievo. Registrada junto à Biblioteca de Catalunya (Barcelona, Espanha), a Roda da Fortuna é um periódico que tem como objetivo divulgar, em meio eletrônico, textos relacionados aos períodos Antigo e Medieval em uma perspectiva multidisciplinar que inclua áreas como História, Filosofia, Antropologia, Direito, Artes, Literatura, Filologia, dentre outras. Como uma periodicidade semestral, vem sendo publicado desde o primeiro período de 2012, e já reúne um número considerável de textos de reconhecida excelência. Minha modesta resenha é uma leitura introdutória do The Orthodox Church in the Arab World (700-1700 AD), importante antologia de documentos históricos sobre a presença e a missão do cristianismo greco-ortodoxo (também conhecido como calcedônico ou melquita) no interior daquilo que se convencionou a chamar de mundo islâmico. Organizado por Samuel Noble e Alexander Treiger, é uma entrada acessível para o conhecimento do complexo mundo do cristianismo do Oriente Médio na Idade Média e início da Modernidade.

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Título: Muito mais do que uma sobrevivente

Volume resenhado: Noble, Samuel & Treiger, Alexander (2014). The Orthodox Church in the Arab World (700-1700 AD): an anthology of sources. Prefácio de Ephrem Kyriakos. DeKalb: Northern Illinois University Press.  375 p.

Formato: online (disponível em https://tinyurl.com/y7hc9383)

Investimento: acesso aberto

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Minicurso no Centro Loyola de Fé e Cultura: A Virgem Maria entre cristãos e muçulmanos


Nos dias 14, 21 e 28 de novembro e 5 de dezembro, quartas-feiras, das 19h às 21h, eu terei a honra e a alegria de oferecer, por iniciativa do Centro Loyola de Fé e Cultura da PUC-Rio, um minicurso que tratará da presença e da representação da Virgem Maria, mãe de Jesus de Nazaré, no interior da tradição islâmica, constituídas através de uma complexa relação histórico-religiosa entre muçulmanos e cristãos. As aulas do minicurso serão voltadas especialmente para os estudantes de História, Teologia e Ciências da Religião, mas também terei grande alegria em acolher todos os demais interessados em ouvir e conversar a respeito deste assunto. Peço que aqueles que se interessem por ele inscrevam-se o quanto antes, de modo que possamos formar uma turma com um quórum mínimo que viabilize a sua efetiva realização. Solicito também aos amigos, colegas e conhecidos que ajudem a divulgar a proposta do curso em suas redes de contatos, visando alcançar especialmente os potenciais interessados na proposta.

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Título: A Virgem Maria entre cristãos e muçulmanos

Formato: minicurso (4 aulas/totalizando 8 horas/aula)

Ementa: Pode-se afirmar, sem sombra de dúvida, que desde o início do movimento dos seguidores de Muḥammad, a figura da Virgem Maria ocupou proeminente lugar na espiritualidade e teologia islâmicas. Os muçulmanos designam a mãe de Jesus como Maryam, nome proveniente do Corão, e não poucas vezes também a chamaram como Sayyida, que corresponde mais ou menos ao título de Senhora com que ela desde muito cedo foi designada no Ocidente. Seu lugar de relevo encontra-se intimamente vinculado ao papel ocupado no Islã por seu filho Jesus, Īsā, que, contudo, não é considerado como o Filho de Deus, mas como eminente profeta, o mais importante depois do próprio Muḥammad. Considerar como o Islã representou a figura da Virgem Maria é pensar como uma das maiores religiões do mundo assimilou gigantesca figura de outra, uma atividade tanto de interesse histórico-cultural quanto de importante implicação para o diálogo inter-religioso contemporâneo. Por outro lado, também é uma oportunidade de olhar com maior cuidado para certas raízes cristãs cujo contato com a prática e crença do cristianismo contemporâneo parecem ter se rompido, mas que em tempo anterior irrigaram a fé viva de grande número de pessoas. Sendo assim, o objetivo do curso é fornecer uma introdução sintética a essas questões, procurando dimensioná-las no interior de adequado contexto histórico.

Programa:

1. A Virgem Maria na espiritualidade islâmica
2. A vida de Maria segundo o Corão
3. Raízes cristãs da narrativa corânica sobre Maria
4. A Virgem como medianeira: o caso dos santuários compartilhados

Quando: 14, 21 e 28 de novembro e 5 de dezembro (quartas-feiras), das 19h às 21h → Será emitido certificado para os alunos que frequentarem 75% das aulas

Onde: Centro Cultural João XXIII, Rua Bambina, n. 115, Botafogo - Rio de Janeiro / RJ (mapinha: http://migre.me/rGiMG. O local fica bem próximo à Estação Botafogo do Metrô e há estacionamento gratuito para os alunos)

Investimento: R$ 170,00. Estudantes de graduação têm desconto e pagam R$ 120 (neste caso, é necessário indicar, no ato da inscrição, que é estudante, de qual curso e instituição) → Para se inscrever é necessário preencher ficha disponível em https://tinyurl.com/ybt5yet2, ou mandar um e-mail para scursosloyola@puc-rio.br, informando nome, RG, telefone e o curso do qual deseja participar, e solicitando o boleto bancário para pagamento da taxa. Mais informações podem ser obtidas entrando em contato no telefone (21) 3527-2011, ou por mensagem inbox para o https://www.facebook.com/centroloyolapucrio.

Página oficial do curso: https://tinyurl.com/y85uusf7

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Resenha publicada na Revista Sæculum: Religião e historicidade: a batalha pela ortodoxia islâmica no Califado Abássida. Resenha de: John Abdallah Nawas, "Al-Ma’mūn, the Inquisition and quest for Caliphal authority" (2015)


Foi publicada uma resenha de minha autoria na edição de janeiro a junho de 2018 da Sæculum, revista acadêmica semestral do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba. Trata-se de uma leitura introdutória do livro Al-Ma’mūn, the Inquisition and quest for Caliphal authority, publicado em 2015 por John Abdallah Nawas, volume que trata da história e da historiografia da miḥna, espécie de inquisição instaurada por alguns califas abássidas, fenômeno que permite discutir de modo privilegiado as composições e conflitos entre diferentes partidos políticos e religiosos envolvidos na dinâmica política do Oriente Médio medieval e na formação da ortodoxia islâmica.

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Título: Religião e historicidade: a batalha pela ortodoxia islâmica no Califado Abássida

Volume resenhado: Nawas, John Abdallah. Al-Ma’mūn, the Inquisition and quest for Caliphal authority. Atlanta: Lockwood Press, 2015. Coleção Resources in Arabic and Islamic studies, n. 4. 212 p.

Formato: online (disponível em https://tinyurl.com/y8k2ynar)

Investimento: acesso aberto

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Minicurso na Ermida: História e espiritualidade dos antigos cristianismos africanos


Nos dias 21 a 23 de setembro, estarei oferecendo na Ermida - Casa de retiros e hospedaria, instituto de propriedade das Servas da Santíssima Trindade, localizado em Miguel Pereira - RJ, o minicurso intensivo História e espiritualidade dos antigos cristianismos africanos. A ideia desse empreendimento é compartilhar com os eventuais interessados coisas que tenho lido e pensado nos últimos anos a respeito das experiências cristãs copta, núbia e etíope, fornecendo-lhes um panorama sumário de informações a respeito dessas antigas vertentes do movimento dos seguidores de Jesus, enfatizando suas complexas relações com o mundo não-eclesiástico, desde os primórdios da evangelização das terras africanas até o primeiro século posterior ao advento do Islã na mesma região. Além dos momentos de formação, os participantes do curso poderão ainda aproveitar belas paisagens, o contato com a natureza e as excelentes refeições oferecidas às pessoas hospedadas na Ermida.

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Título: História e espiritualidade dos antigos cristianismos africanos

Formato: minicurso intensivo, com hospedagem e momentos de convivência, abarcando um fim de semana

Sinopse: Mantidas as atuais tendências demográficas, em algumas décadas a África deve ocupar o posto de continente mais cristão do mundo, inclusive ultrapassando em muito a América Latina como região mais católica do globo. As comunidades de africanos na diáspora têm tido um importante papel na revivescência do cristianismo na Europa e na América do Norte, e a expansão institucional do cristianismo no continente africano é um dos fenômenos mais marcantes, apesar de ainda relativamente pouco observado cá entre nós, dos séculos XIX, XX e XXI. Os historiadores, entretanto, têm em mente que esse deslocamento do coração do ecúmeno cristão não é exatamente uma surpresa, mas pode ser lido, entre outras coisas, como uma espécie de volta para casa. Durante séculos a África fez parte do centro do mundo cristão, ainda que essas raízes africanas do cristianismo tenham sido sistematicamente silenciadas ou esquecidas por nosso cristianismo de matriz europeia. Propõe-se então recuperar um pouco da história e da espiritualidade desses antigos cristianismos africanos, enfatizando três de suas vertentes mais eminentes – a copta, a núbia e a etíope –, de modo que se possa colocar em perspectiva o atual crescimento da fé cristã no continente. Não só um trabalho do antiquário, pretende-se com isso permitir que se reconheça algo mais da importância, da validade e da beleza do cristianismo outrora praticado no continente africano, soterrado sob um esquecimento até pouco impenetrável.

Programa:

1. Noite de 21/09: Tendências do atual cenário religioso global e a necessidade de se recontar a história do cristianismo.
2. Manhã de 22/09: O cristianismo no Egito desde a evangelização até os arredores do ano mil.
3. Primeira parte da tarde de 22/09: O cristianismo na Etiópia desde a evangelização até os arredores do ano mil.
4. Segunda parte da tarde de 22/09: A espiritualidade dos Padres do Deserto egípcio e etíope.
5. Noite de 22/09: Audição e discussão de cantos e textos litúrgicos coptas e etíopes.
6. Manhã de 22/09: O cristianismo na Núbia desde a evangelização até os arredores do ano mil.

Quando: 21 a 23 de setembro de 2018, iniciando-se no fim da tarde de sexta-feira e encerrando-se ao início da tarde de domingo

Onde: Ermida - Casa de retiros e hospedaria, Rua Roger C. H. Hutchmacher, n. 826, Boa Vista, Miguel Pereira - RJ, CEP 26900-000 → Imagens e informações sobre o local (incluindo como chegar) em www.ermidaretirohospedaria.org.br

Investimento: R$ 280,00, incluindo a formação, a hospedagem e sete refeições (jantar de sexta-feira, café-da-manhã, almoço, café-da-tarde e jantar de sábado, café-da-manhã e almoço de domingo), com a possibilidade de pagamento em parcelas no cartão de crédito

Inscrições: através de contato diretamente com a secretaria da Ermida, por telefone fixo (02424844106 ou 02424846267), por telefone celular/WhatsApp (024981527145) ou por e-mail (ermida@ermidaretirohospedaria.org.br) → Pede-se que as inscrições sejam feitas o quanto antes, a fim de que se tenha quórum mínimo para a realização do curso


quinta-feira, 26 de julho de 2018

Palestra no Centro Loyola de Fé e Cultura: Mãe e modelo de um novo mundo: Santa Helena


O Centro Loyola de Fé e Cultura da PUC-Rio tem promovido já há certo tempo uma série de palestras sobre o papel das mulheres e do feminino na tradição bíblica e na história cristã. Sob o título de Elas muito amaram, desde março de 2016 foram realizadas uma série de sessões de estudo e discussão sobre as heroínas da Bíblia Hebraica, Maria de Nazaré, Maria Madalena, Catarina de Siena, Teresinha do Menino Jesus, Hildegarda de Bingen, Teresa d'Ávila, Joana d'Arc e Zélia Guérin e seu esposo. Em 14 de agosto próximo, terça-feira, das 14 às 17h, participarei desse interessantíssimo projeto com uma fala sobre Helena Augusta, mãe do imperador Constantino e uma das mais eminentes figuras femininas da Antiguidade Cristã. O encontro é gratuito e irá se conferir certificado de participação, mas as vagas são limitadas por ordem de inscrição em função do espaço disponível. Trata-se de uma aula aberta a todos os interessados, e em função da natureza híbrida do projeto, entre o acadêmico e o religioso, enfatizarei tanto a "Helena histórica" quanto as memórias e tradições hagiográficas a seu respeito, material que a apresentou como modelo de mãe e devota para muitas gerações de cristãos que a veneraram.

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Título: Mãe e modelo de um novo mundo: Santa Helena

Formato: palestra (aula aberta)

Descrição: Neste Ano do Laicato, o projeto Elas muito amaram está apresentando a história de algumas santas leigas, mulheres que mesmo sem seguir a vocação religiosa dedicaram suas vidas à Igreja. O próximo encontro será sobre Santa Helena, mãe do imperador romano Constantino, o primeiro a converter-se ao cristianismo e dar liberdade à religião cristã. Flávia Júlia Helena (c.250-c.330) nasceu plebeia, possivelmente na província romana da Bitínia (atualmente em território turco), e tornou-se esposa do futuro imperador Constâncio Cloro (r.293-306) e mãe do futuro imperador Constantino Magno (r.306-337). Foi afastada por seu marido para que este assumisse um novo casamento de conveniência com a filha de um de seus aliados políticos, mas novamente chamada à corte imperial quando seu único filho chegou ao poder; recebeu então ela mesma o título de Augusta e a própria efígie sobre as moedas. Cristã desde um período muito recuado de sua vida, possivelmente nascida em uma família de cristãos, Helena cercou-se de conselheiros eclesiásticos e decerto influenciou seu filho no sentido de favorecer esta religião. Tornou-se célebre por suas atividades assistenciais, e, depois do Édito de Tolerância de 313, por haver promovido a construção de novas igrejas tanto em Roma quanto na Palestina e na nova capital imperial que então se edificava, Constantinopla. Nos anos de 326 a 328, a imperatriz empreendeu uma longa peregrinação à Palestina para localizar as relíquias da tradição judaico-cristã e expô-las aos fiéis; trata-se esse de um episódio importante na história da devoção e das relações entre o cristianismo e o Estado Romano. O culto de Helena como santa difundiu-se rapidamente tanto no Oriente quanto no Ocidente, muitas vezes associado ao de Constantino; as estórias a ela associadas encontram-se presentes nas mais diversas tradições cristãs de origem apostólica, e tornaram-se modelo de vida para gerações de leigas dedicadas à construção, neste mundo, de um certo modelo de sociedade cristã. O objetivo da presente aula é recuperar alguns dados históricos sobre Helena, assim como algumas informações referentes ao seu contexto e anedotas hagiográficas que, lhe sendo associadas, indicam seu significado na história do cristianismo.

Quando: 14 de agosto, terça-feira, das 14 às 17h

Onde: Centro Loyola de Fé e Cultura, Estrada da Gávea, n. 1, Gávea - Rio de Janeiro / RJ (mapinha: https://tinyurl.com/ya7gdmvg)

Investimento: Evento gratuito, mas com vagas limitadas por ordem de inscrição

Página oficial do evento: https://tinyurl.com/yb94epmu

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Grupo de Trabalho no 3º Simpósio Internacional da Associação Brasileira de História das Religiões: Religião e ciência: tensão, diálogo e experimentações


Nos dias 11 a 14 de outubro, vai realizar-se em Florianópolis/SC, nas dependências da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o 3º Simpósio Internacional/16º Simpósio Nacional da Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR), convocado sob o mote Política, religião e diversidades: educação e espaço público. Os simpósios da ABHR têm sido nos últimos anos talvez o mais amplo e diversificado fórum acadêmico do Brasil devotado ao estudo das religiões e das religiosidades, tanto pela quantidade quanto pela qualificação dos seus participantes. A participação na edição deste ano é isenta de taxas e aberta a toda a comunidade. Os prazos para a proposição de comunicações e pôsteres em Grupos de Trabalho, de minicursos e oficinas, de apresentações artísticas, de exposições fotográficas e de lançamentos de publicações estendem-se até o dia 12 de junho próximo. As propostas são acolhidas em português e em espanhol, e devem ter caráter estritamente não-confessional, não-devocional e não-apologético.

O mote do simpósio de 2018 tem por objetivo fomentar diálogos que valorizem e dignifiquem o respeito a todas as diversidades como elementos centrais dos processos de formação educacional e humana. Como órgão representativo de grande número de pesquisadores brasileiros do campo das Humanidades voltados para o estudo do fenômeno religioso, os organizadores do evento entenderam corretamente que, em tempos de sucateamento do Ensino Público e do Ensino Particular, e de censura e perseguições político-ideológicas a docentes e estudantes, este tema seja de suma importância. Assim, esse é um evento que toma partido da liberdade de pesquisa, docência e extensão, e da análise crítica e sensível da sociedade. O site do evento, a partir do qual se encontram informações sobre a ABHR, a programação do simpósio, as normas de inscrição em suas diversas atividades a UFSC e a cidade de Florianópolis é o abhr2018.paginas.ufsc.br. Quaisquer contatos a ele referentes podem ser feitos diretamente pelo abhr2018@gmail.com.

No âmbito do 3º Simpósio Internacional/16º Simpósio Nacional da ABHR, reunir-se-á o já tradicional Grupo de Trabalho Religião e ciência: tensão, diálogo e experimentações, coordenado pela Prof.ª Dr.ª Leila Marrach Basto de Albuquerque, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), e pelo Prof. Dr. Carlo Eduardo Marotta Peters, do Centro Universitário Toledo de Araçatuba (UniToledo). Participarei desse grupo como comentador dos trabalhos apresentados, assim como comunicador (apresentando texto, mais ou menos conexo à minha pesquisa de doutorado, que detalharei em postagem posterior). Eventuais interessados em apresentar comunicações ou pôsteres neste GT, por favor, sigam as instruções para inscrição constante no site mencionado, entrando em contato com os coordenadores do Grupo até o dia 12 de junho. Será uma honra e uma alegria grande tê-los conosco neste importante momento de discussão.

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Título do Grupo de Trabalho: Religião e ciência: tensão, diálogo e experimentações

Proposta: Ciência e religião são os dois grandes sistemas de organização do pensamento no ocidente moderno em disputa pela hegemonia das definições de verdade desde o Renascimento. O pós-Segunda Guerra Mundial trouxe nova configuração para este jogo de forças, deslegitimando versões científicas da realidade e estimulando a busca de novos fundamentos do conhecimento para explicar o homem e o mundo. Neste processo, as religiosidades ganharam papel destacado. Este GT se fundamenta nas novas leituras da História Cultural, linha multifacetada e plural que abandonou o viés evolucionista e positivista de análise e problematizou a ciência como discurso e veículo para o exercício do poder. Sugerimos alguns caminhos: 1. Ciência ou ciências; 2. As religiões e a cientização da vida; 3. Movimentos contraculturais e a Nova Era; 4. A ciência e as tradições religiosas do oriente; 5. Os novos paradigmas; 6. Os holismos; 7. As narrativas religiosas e a ciência pós-moderna; 8. O reencantamento da ciência; 9. Misticismo ecológico; 10. Religião e etnociências; 11. Vitalismo, curas religiosas e medicinas não-oficiais; 11. Biologia: evolucionismo vs. criacionismo; 12. Religião, ciência e alienismo; 13. Religião, ciência e ética. 

Palavras-chave: Conhecimento. Religião. Ciência

Prazo final para o envio de propostas de trabalho: 12 de junho de 2018

Data do evento: 11 a 14 de outubro de 2018

Local: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis/SC



segunda-feira, 9 de abril de 2018

Artigo publicado na Revista Veredas da História: O funcionamento econômico da Igreja Copta nos estágios iniciais do Egito islâmico (séculos VII a X)


Foi publicado um artigo de minha autoria na edição de dezembro de 2017 (v. 10, n. 2) da revista eletrônica Veredas da História, no âmbito do dossiê Pensando e agindo em nome da Igreja, organizado pelos professores Leandro Duarte Rust (PPGHIS/UFMT) e Gabriel Castanho (PPGHIS/UFRJ). O periódico encontra-se vinculada ao Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (DCJS/UFRRJ) e tem como objetivo publicar artigos, resenhas, textos e documentos, frutos de pesquisas desenvolvidas por alunos e professores, trabalhos que possam dialogar com as mais diversas ciências, fomentando, através da sua interdisciplinaridade, e a criação de um espaço para discussão e debate acadêmico promissor, originando assim pensamentos transformadores e criativos. Em meu paper, partindo de uma leitura da História do Patriarcado Copta de Alexandria, uma crônica oficial desta instituição, procurei reconstituir como se deram as relações entre religião e economia, entre cristãos e muçulmanos, desde a conquista do Vale do Nilo pelos árabes, em 641, até as vésperas da tomada da região pelos fatímidas, em 969. O objetivo mais geral do escrito é fornecer modesta contribuição a uma futura história comparada da administração eclesiástica na Antiguidade Tardia e no Medievo. Trata-se tal texto de um produto de minha pesquisa de doutorado, um apêndice do projeto de pesquisa agora renomeado como As interações cristão-muçulmanas no Egito a partir da História do Patriarcado Copta de Alexandria (639-1146), no qual venho trabalhando, na condição de aluno do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade do Rio de Janeiro (PPGH/UERJ), desde o início desde 2015.

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Título: O funcionamento econômico da Igreja Copta nos estágios iniciais do Egito islâmico (séculos VII a X)

Resumo: Partindo de uma leitura da História do Patriarcado Copta de Alexandria, crônica oficial desta instituição, este trabalho tem por objetivo reconstituir, de forma sinóptica, o funcionamento econômico da Igreja Copta nos estágios iniciais do Egito islâmico – ou seja, desde a conquista do Vale do Nilo pelos árabes, em 641, até as vésperas da tomada da região pelos fatímidas, em 969. No âmbito de tal reconstituição, deu-se especial atenção às assimétricas interações econômicas entre o governo islâmico e a comunidade cristã egípcia, e às estratégias de arrecadação praticadas pelos diferentes tipos de profissionais vinculados à Igreja Copta – tais como monges, bispos, clérigos casados e patriarcas. Espera-se que o texto contribua para a elaboração de uma futura história comparada da administração eclesiástica na Antiguidade Tardia e no Medievo.

Formato: online (disponível em https://tinyurl.com/ybn5gmly)

Investimento: acesso aberto

domingo, 25 de março de 2018

Artigo publicado na Revista Coletânea: A Mãe de Deus na tradição cristã etíope: uma leitura introdutória da "Anáfora de Santa Maria" de Abba Ciríaco de Behnesa


Foi publicado um artigo de minha autoria na edição do primeiro semestre de 2017 (v. 16, n. 31) da Coletânea, revista acadêmica da Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro. Trata-se de primeiro texto que escrevo usando como matéria-prima um documento litúrgico, a interessantíssima Anáfora de Santa Maria, oração ímpar preservada pela Igreja Ortodoxa Etíope, e procurei compô-lo costurando de modo bastante cuidadoso a reflexão teológica e histórica. Privilegiei a descrição sobre a análise - afinal, trata-se de um paper não mais do que introdutório -, mas o resultado, de um modo geral, deixou-me satisfeito. Espero que o resultado pareça interessante a todos os eventuais leitores.

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Título: A Mãe de Deus na tradição cristã etíope: uma leitura introdutória da Anáfora de Santa Maria de Abba Ciríaco de Behnesa

Resumo: A figura da Virgem Maria possui um local central na teologia, liturgia e devoção dos cristãos afro-orientais, membros de antigas comunidades de origem apostólica, que insistiram sempre mais em seu caráter de Mãe de Deus como forma de enfatizar a união hipostática das Naturezas humana e divina na Pessoa de Jesus Cristo. Essa centralidade se expressa também na arte religiosa e em numerosos textos, entre os quais se incluem canções populares, poemas devotos, homilias comemorativas, tratados teológicos e coletâneas de milagres atribuídos à Virgem. Um dos mais impressionantes destes escritos é a Anáfora de Santa Maria, tradicionalmente atribuída a Abba Ciríaco (ou Heráclito) de Behnesa (el-Bahnasa ou Oxirrinco), utilizada na Divina Liturgia da Igreja Etíope algumas vezes por anos - nas mais importantes festas marianas, na véspera do Natal, na véspera e no dia da Anunciação e na comemoração do mesmo São Ciríaco. Como bem se sabe, a liturgia etíope deriva em larga medida da liturgia copta, em função da ligação milenar entre as Igrejas de Alexandria e da Abissínia, mas desenvolveu uma série de características originais a partir da absorção de elementos autóctones, do peso de sua herança semítica e de significativas influências siríacas. A Anáfora de Santa Maria de Abba Ciríaco de Behnesa é justamente uma das peças originais da Etiópia cristã, pois em nenhuma outra das liturgias hoje conhecidas preservou-se uma oração eucarística que faz menção à Virgem de modo tão específico. O objetivo deste artigo é, partindo de uma contextualização histórica, apresentar este texto e identificar como nela aparece figurada a Mãe de Jesus.

Formato: impresso e online (disponível em https://tinyurl.com/y7kuktkp)

Investimento: acesso aberto

sábado, 24 de março de 2018

Artigo publicado na Revista Coletânea: O paquiderme axumita: esboço de um contexto político para a Sura 105 do Corão


O artigo que compartilho hoje foi publicado na edição de julho a dezembro de 2015 (v. 14, n. 28) da Coletânea, revista acadêmica da Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro, mas só há poucos dias dei-me conta de que ele havia sido, afinal, disponibilizado online pelo periódico. Uma primeira versão desse texto foi apresentada no Simpósio Temático Religião, política e narrativas, que tive a alegria de coordenar, realizado no âmbito da 2ª Semana de História da Universidade Veiga de Almeida (Campus Tijuca, Rio de Janeiro/RJ). O paper é uma tentativa sucinta de abordar uma ou outra questão com a qual me deparei na pesquisa do doutorado, mas que, infelizmente, não terão lugar no corpo da tese em si. Espero que sua leitura seja tão interessante quanto foi divertido escrevê-lo e apresentá-lo de viva voz.

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Título: O paquiderme axumita: esboço de um contexto político para a Sura 105 do Corão

Resumo: O Corão, texto sagrado do Islã, parece desconfortavelmente hermético para os seus leitores ocidentais, de modo que a interpretação de sua narrativa continua dependente, por um lado, das leituras devotas dos muçulmanos ou, por outro, das abordagens demasiado interessadas dos orientalistas. Passando por alto as considerações de ordem teológica a respeito de sua formação e difusão, não se pode deixar de considerar que se trata da mais relevante das fontes documentais para se compreender o surgimento e o período formativo da terceira das religiões abraâmicas. Uma abordagem histórico-crítica adequadamente respeitosa de suas partes, portanto, faz-se necessária àqueles interessados no período e espaço sociocultural do qual ele dá notícias. O que se pretende fazer no presente trabalho é justamente uma incursão experimental neste sentido, focada na Sura 105, conhecida como sendo d’O elefante. Não se quer interpretar o texto por meio do texto, em perspectiva meramente exegética, em última análise estéril aos historiadores e críticos culturais, mas, partindo de alguns elementos localizáveis, direta ou indiretamente, neste fragmento, fazer referência ao intrincado contexto geopolítico da Península Arábica de fim do século VI/início do século VII d.C., horizonte de referência necessário para se entender o conteúdo específico da pregação de Muḥammad e o desenvolvimento inicial do Islã.

Formato: impresso e online (disponível em https://tinyurl.com/yd5q2klx)

Investimento: acesso aberto

sexta-feira, 23 de março de 2018

Minicurso no Centro Dom Vital: Cristãos e muçulmanos nos primórdios do Egito islâmico


Nos dias 12, 19 e 26 de abril próximo, quintas-feiras, das 18h30 às 20h30, irei oferecer no Centro Dom Vital (CDV) o curso Cristãos e muçulmanos nos primórdios do Egito islâmico. Esse é um curso experimental, no qual vou discutir basicamente o trabalho de pesquisa que venho realizando como doutorando em história política desde 2015, focado como estou nas relações entre os diferentes grupos de seguidores de Jesus e de seguidores de Muḥammad em Alexandria e no Vale do Nilo entre os séculos VII e XI da dita Era Comum.

As aulas serão abertas a todos os interessados, mas decerto poderão fazer mais proveito delas os estudantes de História, Teologia e Ciências da Religião, além dos professores de áreas conexas e Ensino Médio. Espero que, mais do que mero exercício de antiquarismo, o curso permita colocar um pouco em perspectiva histórica os recentes atritos político-religiosos egípcios, que vez ou outra dramaticamente tomam as telas de TV e as páginas dos jornais e sites. As inscrições vão até a véspera da primeira aula, mas é imprescindível que haja um número suficiente de interessados e pré-inscritos para que o curso seja confirmado. Todo o contato a isso referente deve ser feito pelo e-mail comunicacao@centrodomvital.com.br e deve haver um mínimo de dez alunos para a formação da turma. O investimento é de R$ 100, havendo desconto de 50% para sócios do CDV e estudantes e gratuidade para seminaristas.

Peço que os eventuais interessados façam o quanto antes suas pré-inscrições, de modo que possamos garantir a realização do curso. Solicito também a todos os amigos, colegas e conhecidos que ajudem a divulgar esse convite em suas redes de contatos, visando alcançar especialmente os potenciais interessados no tema. Desde agora, imensa gratidão pela ajuda nisto!

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Título: Cristãos e muçulmanos nos primórdios do Egito islâmico

Formato: minicurso (3 aulas, totalizando 6 horas/aula)

Proposta: A expansão árabo-muçulmana inicial deu-se sobre uma paisagem essencial cristã; durante um largo período, aliás, o movimento dos seguidores de Muḥammad esteve presente naquilo que hoje naturalizamos como parte integrante do mundo islâmico quase que só como uma religião de estrangeiros, conquistadores e governantes. Em larga medida, o Califado se construiu sobre as ruínas de populações, instituições e polêmicas cristãs, fato amplamente esquecido tanto pelo senso comum quanto pela corrente majoritária da pesquisa acadêmica cá entre nós. A ascensão e estabilização deste corpo político-religioso, de fato, não podem ser compreendidas de forma teleológica, mas dentro de uma complexa rede de interações com os grupos não-muçulmanos que foram politicamente dominados e, passo a passo, culturalmente submetidos. Longe de ter uma importância apenas para os especialistas, esse processo coloca em questão um assunto que interessa a todos nós: a convivência e o choque de culturas em um momento de profunda crise política. Assim sendo, propõe-se abordá-lo a partir de um estudo de caso, focado em uma região representativa: o Egito desde a conquista islâmica até o fim da dinastia omíada (639-750 AD/17-128 AH).

Programa:

1. O Egito nos séculos VI e VII e a expansão islâmica
2. A Igreja Copta Ortodoxa no primeiro século de domínio islâmico sobre o Egito
3. A Igreja Greco-Melquita Ortodoxa no primeiro século de domínio islâmico sobre o Egito

Quando: dias 12, 19 e 26 de abril (quintas-feiras), das 18h30 às 20h30

Onde: Centro Dom Vital, Rua Araújo Porto Alegre, n. 70, sala 111 (próximo à Estação Cinelândia do Metrô) → Mapinha em https://tinyurl.com/yddgsktw

Investimento: R$ 100 (sócios do CDV e estudantes têm 50% de desconto e seminaristas têm gratuidade)


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Resenha publicada na Revista Maracanan: Testemunhos de um mundo partilhado. Resenha de: Michel Philip Penn (org.). "When christians first met muslims: a sourcebook of the earliest syriac writings on Islam" (2015)


Foi publicada uma resenha de minha autoria na edição de janeiro a junho de 2018 (n. 18) da Maracanan, revista acadêmica semestral do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGH/UERJ), a qual me encontro vinculado como doutorando desde março de 2015. Trata-se de uma leitura introdutória do livro When christians first met muslims, publicado em 2015 por Michel Philip Penn, uma coletânea de documentos, traduzidos e comentados, produzidos por cristãos sírios nos séculos VII a IX, tematizando de diferentes ângulos o fenômeno da ascensão do império árabo-muçulmano, da expansão do Islã e de suas relações com os grupos cristãos então estabelecidos no Oriente Médio.

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Título: Testemunhos de um mundo partilhado

Volume resenhado: Penn, Michael Philip. When christians first met muslims: a sourcebook of the earliest syriac writings on Islam. Oakland: University of California Press, 2015. 280 p.

Formato: online (disponível em https://tinyurl.com/ya6jnkjm)

Investimento: acesso aberto